domingo, 28 de fevereiro de 2010

Representação dos Espelhos

(clique para aumentar)




Fico sob mim
Enquanto estou sobre a minha cabeça
Piso nos meus próprios pés

Posso me ver
Enquanto o outro eu me retorna o olhar
Pois nós somos o mesmo

Estou atrás de mim
Ao mesmo tempo que estou
Em frente à minha forma

No infinito distante
Vou ao meu próprio encontro
Num tempo e espaço incertos

Todas as minhas representações
Quando se encontram
Nada mais são

Desaparecemos



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http://descemaisum.blogspot.com/
Uma fábula kafkiana

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Os Ensinamentos do Grande Sábio

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É, enquanto é bom, é bom

Depois, fica ruim
(Sr. Begônio)



O homem viajou até o extremo oriente para encontrar o maior sábio dos últimos séculos.

Economizou durante muitos anos para poder realizar a viajem. Deixou de comprar boas roupas, boa comida, e de passear com a mulher e os filhos, para que pudesse trabalhar amargamente, sem parar, sob a promessa de que encontraria o grande sábio, e que, com seus ensinamentos, pudessem ser muito, muito felizes.

Chegando no país obscuro, se informou sobre como chegar no tal endereço do sábio. O nativo apontou para uma floresta escura e amedrontadora. O homem entrou mata adentro. Passou sete dias procurando o endereço utilizando as instruções fornecidas pelo nativo. "Você deve caminhar até encontrar o leão azul. Depois que matar o leão azul (utilizando um graveto de madeira) achará a próxima coordenada".

O homem encontrou o leão; quase morreu no combate, mas o amor por sua família o manteve de pé. Matou a fera, batendo diversas vezes com um graveto em sua cabeça azul. Depois abriu a boca do animal e encontrou a próxima coordenada. Deveria se jogar do abismo próximo ao lugar onde encontrou o leão, pronunciando algumas palavras que estavam escritas no papel.

O homem caminhou, achou o abismo e se jogou, dizendo "Harere Quirt Apoir Aswertu". No meio da queda foi teletransportado para fora da floresta, na cidade. Na sua frente estava a última coordenada, que dizia: "Ande para frente". O homem andou para frente e bateu com a cara no portão de um prédio. Apertou no interfone onde dizia "GRANDE SÁBIO".

Abriram o portão. Logo antes de entrar, notou que o prédio ficava exatamente em frente ao lugar onde encontrou o nativo que lhe informou como chegar ali.

Subiu até onde morava o sábio. Tocou a campainha. Um homem muito velho, de pele enrugada e barba branca, abriu a porta.

-Mestre, ó, mestre! Que emoção encontrá-lo!
-Ehr, eu não sou o Grande Sábio. Sou seu secretário, Alfred. Aguarde aqui que vou anunciá-lo.

Em momentos, foi levado até a sala do sábio. Havia uma porta muito grande, onde havia escrito "GRANDE SÁBIO". A porta se abre. Em uma espécie de trono, está sentado o sábio.

Para a grande surpresa do homem, o sábio nada se parecia com o que imaginava. Não tinha cara de oriental, fazia mais um tipo alemão ou francês. E não era velho, devia ter uns 30 e poucos anos. Também não possuía uma imagem fragilizada, muito pelo contrário, possuía a pele queimada de sol, e certamente praticava musculação. Suas roupas eram contemporâneas e ocidentais, extremamente na moda, como se estivesse para sair na noite.

O homem entrou num estado de choque quando viu o Grande Sábio:

-Mas eu pensei...
-Já sei, é o que sempre me falam os poucos que conseguem chegar aqui. Como você demonstrou merecer o nosso encontro, irei partilhar meus mais profundos conhecimentos com você.
-Sim, sim! Por favor!
-Pois bem... em primeiro lugar!
-Sim, diga!
-As coisas... são.
-Sim, claro, as coisas são!!!
-Fique calmo, ainda não terminei.
-Oh, desculpe.
-As coisas são... ou não são. Podemos dividir o Universo entre as coisas que são, e as que não são.
-Entendi. Digo, entendi o que disse, mas não o significado.
-Não precisa compreender agora. Com os anos, vai fazer sentido.
-Entendo...
-Em segundo lugar: sendo que algumas coisas são, e outras não são, concluímos que: tudo que é bom, é bom. Depois, fica ruim.
-É verdade, como nunca havia pensado nisso.
-Você não é um sábio.
-Sim, é verdade. Por favor, Mestre, diga mais!
-E por último, também podemos concluir que: 1+1=2.
-Sim, mas... disso eu já sabia.
-Claro, o que você não sabia é que isso é uma consequência das outras coisas que falei.
-Entendo.
-Bom, é isso.
-O que?
-O que eu tinha pra falar.
-Você diz que... não tem mais nada a ensinar?
-Não, nada. Você não precisa saber de mais nada.
-Mas isso é ridículo! Quer dizer que me esforcei durante anos, quase morrendo para conseguir chegar aqui, só para ouvir essas coisas ridículas???
-Elas não são ridículas.
-São sim.
-Alfred, diga a ele que estas coisas não são ridículas.
-Sim, senhor. Essas coisas não são ridículas.
-Ouviu?
-Claro que ouvi. E daí? Só por que Alfred disse, as coisas deixam de ser ridículas?
-Sim. Alfred sabe das coisas. É um homem muito sensato.
-Eu também sou sensato e estou dizendo que o que disse é ridículo.
-Bom, não posso fazer nada mais por você. E, aliás, você nem pode reclamar.
-Ah, é? Por que?
-Ninguém lhe obrigou a vir até aqui. Veio por que quis.

O homem voltou para casa e reencontrou sua família. Ele contou sobre as coisas que o Grande Sábio falou e eles viveram felizes para sempre (apesar de nunca saberem se foi por causa dos ensinamentos do Grande Sábio ou não).




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Sentimentos Holográficos - ou - Os Crânios Macios


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Será Que Quando Eu Crescer Eu Vou Transar? - ou - Buscas ao Meu Blog

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Já estava querendo fazer este post há algum tempo. Como não preparei nada direito pra hoje, achei que era uma hora boa.

Aqui embaixo há uma seleção que fiz das buscas mais esdrúxulas que deram no meu blog.

Através do SiteMeter (ferramenta de blog), consigo ver como as pessoas chegam até aqui.
Não se preocupe, você que procurou por sexo bizarro e outras coisas estranhas, eu não consigo ver quem fez as buscas, apenas o site que a pessoa estava quando clicou no meu.

Acreditem ou não, estas combinações de palavras chegam no meu blog, procurando-as no Google.
É interessante ver um pouco do que as pessoas buscam na internet.
Escolhi não alterar os erros de ortografia para preservar a integridade "poética" dos "versos".

Espero que gostem, esses "versos" formam uma espécie de poema grotesco...

(E mais uma coisa, visitem o meu outro blog:
http://descemaisum.blogspot.com/)



***


MAE BRASILEIRA TREPANDO C FILHO
menstruação sem sangue
vou enventar o nome do meu filho
destruo
babiesarefun
eu nao janto
quero um poema bem romantico pra colar no perfil do orkut para um menino q estou ficando e quero ir alem disso

beijar na menstruaçao
beijo bem nojento
porque as pessoas bebem sangue de menstruação
carta termino de namoro

carta te odeio
nextel e uma bosta
sangue de mestruação no café pode deixar um homem louco
lesbicas lutando no ringue
mãe ensina filho a tranzar
recador pra namorado origianal e um glog bem bonito

quem inventa palavras cria?
atos heroicos de animais
carta para terminar o namoro
porque as mulheres colocam sangue no café
a menstruação não para
beber sangue da mestruaçao
menstruação é merda
menstruaçao muito sangue escorrendo

carta para terminar o namoror acabar com a pessoa
textos muito massa
comentarios sobre ana luisa abre-nos as portas da sua casa onde é violada
fabricação trident de maracujá
encenaçao de um parto
porque algumas mulheres gritam quando dao o cu

pode fazer filho no cu
mulheres chupando um pintão na praia
mestruaçao o mes todo
estou menstruada ha mais de um mes
contos mel chantilly
moçasexibindo sexo
pq as mulheres chupa o pipi dos homens

estudo profundo sobre a mestruação
www.contos com mocinhas tranzando
pintões
minha vagina esta sangrando e estou com dor no perereca do lado esquerdo
vaiores gostosas
quantos dura vedor de um pum
porque a mentruação muda de cor
lambi sobre a sunga

impostação para tocar
Fisiologicamente
um o homem botando o pinto no cu da mulher
colocando o chantilly no cu
metidas com pintos enormes

por favor menstrua na minha boca
a mulher chupando o pinto do bebe~
mocas querendo da o cu
mulher lanbendo o coco e transado ou mesmotempo
"homens sem sunga"

obre uma historia de quatro garoto roubando frutas na barraca
imagem de homem botando o pinto na piriquita da mulher
mulheres gostam de crem de chantily no sexo?
contos gay eu menino de 10 anos chupei o penis do vizinho pro vingança
podres de boas e tetonas

homem 39 anos poem pedaço de massa pela ureta
SERÁ QUE QUANDO EU CRESCER EU VOU TRANSAR?


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Ovelhas Amargas

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Amores e um Século

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E o amor, aquele amor enorme, aquele amor cheio de gente, grande pra caralho, amor que entope os canos. Esse amor de gente maluca e esquizofrênica, que gosta de bater a cabeça na parede e de jogar dardos em estrume. Amor de pernas compridas, vestindo bota de plástico amarelo, cozinhando bife com batata frita, em cima da montanha. Devendo dinheiro e coberto de chocolate quente. De manhã cedo e sonhando com as pessoas do ódio negro. Fazendo musculação com o poste e escrevendo leis lógicas. Dentro do disco de prata no museu e com medo de sair na rua. Sapateando na farda verde e se segurando pra não cair no abismo. Guardado no pote de sorvete e pegando um avião pra França. No fone de ouvido metálico e na aba do chapéu. No meio do fogo da churrasqueira e dentro das pálpebras. Se jogando no fosso do elevador e atarraxando as porcas. Mastigando madeira e conferindo as notas fiscais. Na areia do deserto e no lado do fio dental. Saindo pelo chafariz e arrastando bolas de ferro. Dizendo "as facas são de boa qualidade" e "Certamente sou hermafrodita". Vestindo roupa de balé e espancando mendigos. Sendo usado como tempero e pintando a unha com esmalte roxo. Sendo usado para assassinar padres e como lubrificante íntimo. Sendo lançado como bola de boliche, na cara dos presidentes de associações de moradores. Correndo pelado pela rua enquanto se masturba freneticamente. Tentando despedaçar a parede do banheiro, já que acabou o papel higiênico. Chupando cabo de eletricidade e chutando almofadas macias.


Amor de pata. E de coice. Amor de tangerina podre. Amor com cubos de vidro derretendo. Amor sabor catarro. O amor que achei dentro do sanduíche. O amor que falou sobre os telefones incendiários. Amor que colocou silicone na barriga.


O amor já chegou dizendo que estava querendo mudar de vida, gostaria de pedir um conselho. Disse que estava puto com as coisas. Eu disse que ele devia evitar as coisas. Mas é difícil evitar as coisas, elas estão em todos os lugares, ele falou. Quais coisas você quer evitar? Todas, ele respondeu, todas as coisas que existem. Qual o problema das coisas? "O problema é que elas existem". Mas é claro, falei. "Pois é, mas eu não existo".


O menino estava andando e tropeçou. Bateu com a boca em uma lata enferrujada e quebrou os dentes. Foi levado para o hospital. Alguns dias depois, estava com a cara toda infeccionada, apodrecida, cheia de pus. Tiveram que arrancar os dentes todos, mas não adiantou. "Vamos ter que arrancar a cabeça fora, para não comprometer o resto do corpo". Botaram a cabeça do garoto na guilhotina e perguntaram se ele queria dizer algo antes que cortassem sua cabeça fora. Ele disse: Isso é AMOR.


A mulher estava em casa. Entraram 15 ladrões. Quebraram tudo, reviraram a casa. Perguntaram pelas jóias. A mulher disse que não tinha. Ameaçaram matá-la caso não as entregasse. A mulher chorou e disse não estar mentindo. Os homens pegaram canos de ferro para espancar a mulher. Enquanto isso chegava o marido. Viu o que estava acontecendo do lado de fora. O marido entrou munido de muito amor e partiu para cima dos ladrões. Eles estraçalharam o marido e depois estupraram a mulher antes de matá-la. Com amor.


O garotinho foi até a privada. Ele nunca havia utilizado esse dispositivo urino-fecal. Sentou-se com muita dificuldade e despejou tudo lá dentro. Depois chamou a mãe. "O que é isso, filho?", "É amor, mãe".


O amor chegou na churrascaria cedo, no início da tarde. Ele começou a comer. Comeu muito, durante várias horas. "O senhor está bem? Não acha que já comeu demais?", "Não, estou com fome, ainda". E ele continuou a comer. Depois de mais algumas horas, começou a berrar de dor. Em pouco tempo seu corpo começou a rachar. Mas não parou de comer. Poucos minutos mais tarde, quando faleceu de tanto comer, alguém comentou: "O amor não é propriamente algo, ele é tudo o que não é".


E as pessoas continuaram sendo elas mesmas. E eu aqui, sendo o que não sou.



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O Bloco Humano
Uma visão apocalíptica do carnaval.