Em alguns anos. Num dia comum.
-Querido, estou entediada. Vamos pedir um filho?
-Outra vez? Já pedimos um na semana passada e você não gostou dele.
-Ah, e daí? Se não gostar dessa vez, eu troco.
-Ok.
Fincher vai até o telefone.
-Alô. Sim, eu gostaria de fazer um pedido. Hum, um menino.
-Não! Dessa vez peça uma menina!
-É... desculpe, vai ser uma menina hoje. Isso, loira, com...
-Ruiva! Quero uma ruiva!
-Bom, ruiva então. E a cor dos olhos, querida?
-Verdes... escuros. Cor de musgo, sabe?
-Olhos cor de musgo, vocês fazem? Então quero isso mesmo. Ok, obrigado.
Naquela tarde.
-Fincher, nossa filha chegou! Venha ver!
Os dois abrem a embalagem.
-Veja só que graça! Da maneira que pedimos. Ruiva com os olhos cor de musgo - diz Adágia.
-É. Só espero que ela se comporte bem.
-Vou chamá-la de Túlia.
Meia hora depois.
-Túlia! O que está fazendo?? Desarrumou o quarto todo. Sujou a cozinha. Quebrou um vaso de plantas. Se continuar assim vou lhe enviar para a Assistência Técnica.
À noite.
-Olá, querida! Como foi seu dia?
-Péssimo. Túlia se revelou uma péssima filha. Tive que jogá-la aos cachorros.
-Ah, querida. Por que fez isso? Não seja tão impulsiva.
-Fincher, você sabe que não consigo me controlar. Ela passou dos limites.
Dois dias depois.
-Querido, pedi um outro filho. Menino dessa vez. Pianista, loiro e de olhos azuis.
-Hum.
Uma hora depois o filho chega.
-Olha só, mudaram a embalagem! Vamos, abra, Adágia, quero ouvi-lo tocar.
O filho, a quem resolvem chamar de Lócrio, vai ao piano e toca.
-É isso? Achei que tocasse melhor, isso eu sei fazer.
-Ah, mas ele é tão bonitinho!
Duas semanas depois.
Fincher chega em casa. Adágia ainda está no trabalho.
-Lócrio, o que está acontecendo?
Lócrio está nu, abraçado com o filho do vizinho. Fincher expulsa o filho do vizinho e começa a espancar Lócrio.
Adágia chega enquanto Lócrio é espancado.
-Fincher, o que está fazendo? Pare já com isso!
Fincher não lhe dá ouvidos.
Adágia parte para cima de Fincher.
-Saia daqui, Adágia. Não me interrompa! Eu que paguei por ele! Faço o que quiser. Você só sabe ficar gastando meu dinheiro com essas porcarias.
-Não diga isso! Eu estava começando a gostar desse. Pare, solte-o!
-Não.
Adágia pega uma faca. E grita. Fincher solta o menino, que se arrasta para fora de casa.
-Largue essa faca. Já.
-Não acredito que fez isso. Logo quando consigo amar um filho, você faz essa atrocidade.
-E você que jogou Túlia aos cachorros?
-Não amava Túlia.
-Mas era sua filha.
-Faço o que bem entender.
-Pois é, eu também. Vou matar Lócrio.
-Não, deixe Lócrio em paz!
Fincher pega uma garrafa de vidro e vai em direção à porta, por onde Lócrio escapou.
-Não! - grita Adágia.
Fincher se vira e vê Adágia se aproximando rapidamente com a faca levantada.
Fincher se desvia da facada e acerta a garrafa na cabeça de Adágia.
Fincher caminha até o corpo desacordado de Adágia e tampa sua boca e suas narinas com as mãos, para se certificar de que não ficará viva.
-Alô. Sim, gostaria de pedir uma outra esposa.
sábado, 30 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Big Bang
Não há nada para ser dito
Nem tenho voz para contar
Não há mais ar para vibrar
Nem energia pra falar
Está escuro
Está deserto
Não há mais gente
Nem pensamento
Não há mais nada pra existir
Nem há o que ser existido
Os pensamentos que escrevo
Saem do vácuo infinito
Eu não sou nada
Nem minhas palavras
Não sou ideia nem ser vivo
Nem sei ainda se existo
Mas algo está para mudar
Um novo momento do destino
Tenho passado por mudanças
E elas tem passado por mim
Já não me sinto velho
Agora me sinto novo
Já não me sinto preso
Agora me sinto solto
Já não mais sinto medo
Me sinto corajoso
Já não preciso de algo
Não preciso de nada
Já não preciso aprender
Agora sei tudo que preciso saber
Já não preciso de amor
Eu sou amor
Já não preciso de paz
Eu sou paz
Já não estou aqui
Estou em qualquer lugar
Já não sou eu
Agora sou todos
E ainda assim,
Sinto que há muito por vir.
Nem tenho voz para contar
Não há mais ar para vibrar
Nem energia pra falar
Está escuro
Está deserto
Não há mais gente
Nem pensamento
Não há mais nada pra existir
Nem há o que ser existido
Os pensamentos que escrevo
Saem do vácuo infinito
Eu não sou nada
Nem minhas palavras
Não sou ideia nem ser vivo
Nem sei ainda se existo
Mas algo está para mudar
Um novo momento do destino
Tenho passado por mudanças
E elas tem passado por mim
Já não me sinto velho
Agora me sinto novo
Já não me sinto preso
Agora me sinto solto
Já não mais sinto medo
Me sinto corajoso
Já não preciso de algo
Não preciso de nada
Já não preciso aprender
Agora sei tudo que preciso saber
Já não preciso de amor
Eu sou amor
Já não preciso de paz
Eu sou paz
Já não estou aqui
Estou em qualquer lugar
Já não sou eu
Agora sou todos
E ainda assim,
Sinto que há muito por vir.
terça-feira, 19 de maio de 2009
Destruo
Acordo
Abro os olhos
E grito
Muito alto
Os vizinhos acordam
Me levanto
Destruo minha cama
Vou ao banheiro
Mijo
Destruo a privada
Ando até a pia
Escovo os dentes
Destruo a pia
Vou até a cozinha
Pego comida na geladeira
Destruo a geladeira
Sento na mesa e como
Destruo a mesa
Pego meu carro
Dirijo até meu trabalho
Destruo meu carro
Entro no meu escritório
Trabalho até tarde
Destruo meu escritório
Saio para lanchar
Como na lanchonete
Destruo a lanchonete
Caminho para minha casa
Atravesso a rua
Destruo a rua
Chego em casa
Abro a porta
Destruo a porta
Entro no banheiro
Tomo um banho
Destruo o box
Vou até o armário
Pego um pijama
Destruo o armário
Sento para ver um pouco de TV
Vejo aquela porcaria
Destruo a TV
Vou até meu quarto
Me olho no espelho
Destruo minha imagem
Destruo minhas lágrimas
Destruo minhas mágoas
Destruo os meus medos
E destruo minha casa
Deito para dormir nos escombros
E grito
Muito alto
Os meus sonhos me acordam
Abro os olhos
E grito
Muito alto
Os vizinhos acordam
Me levanto
Destruo minha cama
Vou ao banheiro
Mijo
Destruo a privada
Ando até a pia
Escovo os dentes
Destruo a pia
Vou até a cozinha
Pego comida na geladeira
Destruo a geladeira
Sento na mesa e como
Destruo a mesa
Pego meu carro
Dirijo até meu trabalho
Destruo meu carro
Entro no meu escritório
Trabalho até tarde
Destruo meu escritório
Saio para lanchar
Como na lanchonete
Destruo a lanchonete
Caminho para minha casa
Atravesso a rua
Destruo a rua
Chego em casa
Abro a porta
Destruo a porta
Entro no banheiro
Tomo um banho
Destruo o box
Vou até o armário
Pego um pijama
Destruo o armário
Sento para ver um pouco de TV
Vejo aquela porcaria
Destruo a TV
Vou até meu quarto
Me olho no espelho
Destruo minha imagem
Destruo minhas lágrimas
Destruo minhas mágoas
Destruo os meus medos
E destruo minha casa
Deito para dormir nos escombros
E grito
Muito alto
Os meus sonhos me acordam
quinta-feira, 14 de maio de 2009
Homo Sapiens

Tudo caiu
Quebrou
Estilhaçou
Nada sobrou
E quem fui eu?
Que nada fiz
Talvez sonhei
Mas nada quis
Rapidamente
Talvez por uma fração de segundo
Pude compreender
Mas nada entendi
Assimilei
Mas nada aprendi
Sou Homo sapiens
Homem Sábio
Gostaria de saber
Tudo que pode ser sabido
Aprendido e ensinado
Que é segredo e clandestino
Me comunico com meus semelhantes
Ou pelo menos é o que tento
Todo dia é uma luta
Batalha do pensamento
DNA é a minha herança
Para a humanidade humanista
E de tão pequeno
Não pega na vista
Homens dominam a Terra
Sapiens para toda vida
As miticôndrias querem sair de mim
Para aproveitar melhor esta existência
Habito um mundo cheio de problemas
E sou o principal responsável por eles
Por que tudo tem que ser tão bem definido?
Por que definimos onde você acaba e onde eu começo?
Afinal de contas, somos todos um
Apenas é difícil percebê-lo com esses olhos
E senti-lo com esse coração
Talvez um dia tudo afunde na lava
E um novo inicio aflore
Menos injusto
E mais seguro
Com menos dor
E mais amores
----------------------------------
Gostaria de agradecer à Mila (http://milahope.blogspot.com/), que me indicou a esse selo!
Regras:
1º-Tenho que passar para 7 blogs.
2º-Devo responder a seguinte questão: O que significa para si ser um homo sapiens?
Leiam o poema acima...
domingo, 10 de maio de 2009
Bebê
No ar
Há uma faca
Em alta velocidade
Vindo em minha direção
Ela irá estraçalhar o meu cérebro
E o público irá gritar de emoção
Mas um bebê se lança contra a faca
E me salva
Ele diz que nasceu para me salvar
E eu lhe digo que nasci para ser salvo por ele
Pego o bebê e o enterro
Ali nasce uma bela flor
Me agacho e devoro esta flor
Sinto o gosto da infância perdida
Do que teria sido esta vida
E da coragem esquecida
No ar
Há uma bola de canhão
Em alta velocidade
Indo em direção a um bebê
Ela irá esmaga-lo
E o público irá urrar de felicidade
Mas eu me lanço contra a bola
E o salvo
A minha cabeça explode com a colisão
O meu cérebro, meu sangue, meu crânio
São lançados na plateia
Eles se deliciam com estas iguarias
Digo ao bebê que nasci para salva-lo
Ele me diz que nasceu para ocupar o lugar de minha cabeça
Pego o bebê e o coloco no lugar de minha cabeça
Agora tenho olhos, ouvidos, boca e nariz
Novamente
Agora tenho infância, esperança, inocência e tranquilidade
Novamente
Caminho por aí
Com minha cabeça de bebê
Agora somos dois
Enquanto somos um
Após algum tempo
Esse bebê se torna um homem
Somos muitos homens para um só corpo
Chega a sua hora de partir
Cortamos o cordão umbilical que nos une
E nos abraçamos como pai e filho
Ele me agradece por tê-lo salvado da bola de canhão
Eu lhe agradeço por ele ter servido de cabeça por tantos anos
No ar
Há uma faca
Em alta velocidade
Vindo em minha direção
Ela iria acertar o meu cérebro
Mas por sorte minha
Não há mais perigo
Pois não tenho mais cabeça
Mas ela passa por mim
E acerta o antigo bebê que era a minha cabeça
Isso o mata
O público finalmente fica feliz
Uma longa salva de palmas ocorre
Muitas lágrimas de felicidade
Gritos de emoção
O público se abraça e sorri
Afinal de contas
O que pode trazer mais felicidade
Do que um antigo desejo realizado?
Há uma faca
Em alta velocidade
Vindo em minha direção
Ela irá estraçalhar o meu cérebro
E o público irá gritar de emoção
Mas um bebê se lança contra a faca
E me salva
Ele diz que nasceu para me salvar
E eu lhe digo que nasci para ser salvo por ele
Pego o bebê e o enterro
Ali nasce uma bela flor
Me agacho e devoro esta flor
Sinto o gosto da infância perdida
Do que teria sido esta vida
E da coragem esquecida
No ar
Há uma bola de canhão
Em alta velocidade
Indo em direção a um bebê
Ela irá esmaga-lo
E o público irá urrar de felicidade
Mas eu me lanço contra a bola
E o salvo
A minha cabeça explode com a colisão
O meu cérebro, meu sangue, meu crânio
São lançados na plateia
Eles se deliciam com estas iguarias
Digo ao bebê que nasci para salva-lo
Ele me diz que nasceu para ocupar o lugar de minha cabeça
Pego o bebê e o coloco no lugar de minha cabeça
Agora tenho olhos, ouvidos, boca e nariz
Novamente
Agora tenho infância, esperança, inocência e tranquilidade
Novamente
Caminho por aí
Com minha cabeça de bebê
Agora somos dois
Enquanto somos um
Após algum tempo
Esse bebê se torna um homem
Somos muitos homens para um só corpo
Chega a sua hora de partir
Cortamos o cordão umbilical que nos une
E nos abraçamos como pai e filho
Ele me agradece por tê-lo salvado da bola de canhão
Eu lhe agradeço por ele ter servido de cabeça por tantos anos
No ar
Há uma faca
Em alta velocidade
Vindo em minha direção
Ela iria acertar o meu cérebro
Mas por sorte minha
Não há mais perigo
Pois não tenho mais cabeça
Mas ela passa por mim
E acerta o antigo bebê que era a minha cabeça
Isso o mata
O público finalmente fica feliz
Uma longa salva de palmas ocorre
Muitas lágrimas de felicidade
Gritos de emoção
O público se abraça e sorri
Afinal de contas
O que pode trazer mais felicidade
Do que um antigo desejo realizado?
terça-feira, 5 de maio de 2009
Éz
Éz é um homem comum, com direitos, a fazeres, e desejos comuns.
.....Todo os dias, às 08:00 AM, Éz se deita para dormir na sua sala de trabalho. Sonha com a sua morte e com o fim do mundo. Dorme como um velhinho de 90 anos. Mas nesse dia ele não estava com muito sono, resolve se levantar e fazer algo de produtivo. Logo seu chefe aparece:
.....-O que está fazendo? Volte a dormir.
.....-Desculpe, chefe. Não estou com muito sono.
.....-Dirija-se imediatamente para a Sala do Cansaço.
.....Éz tira seu pijama e veste uma roupa esportiva. Está na hora de se livrar de toda essa energia horrível que está em seu corpo. Chegando na Sala do Cansaço, ele veste um roupão de chumbo, que pesa 50 quilos. Um dos Instrutores do cansaço o aborda:
.....-Então, funcionário Éz, qual seu problema hoje? Já é a terceira vez esta semana que aparece aqui.
.....-Não sei, tenho me sentido muito disposto ultimamente. Não tenho conseguido dormir as 16 horas diárias necessárias.
.....-Muito bem, vamos ver o que posso fazer. Vamos começar com uma série de levantamento de peso.
.....O funcionário entrega a Éz um cubo de 100 quilos. Éz urra de desespero tentando levanta-lo. Despois disso, eles se encaminham para a piscina de mercúrio. Após vestir uma máscara protetora, Éz nada alguns minutos, mas são necessários quatro funcionários para retira-lo do fundo da piscina. Éz conseguiu ficar exausto.
.....Ele é carregado numa maca e colocado em sua confortável cama. Ele consegue completar sua cota diária de sono. Chegando em sua casa, encontra sua esposa e seus filhos.
.....-Olá, querido! Como foi seu dia? - pergunta Airam.
.....-Muito pouco produtivo, querida!
.....-Ah, que bom!
.....-E vocês crianças? Como foi no colégio?
.....-Não fizemos nada! - responde o filho, Sacul.
.....-Mentira! Ele se levantou da cama e ficou estudando geografia! - delata a filha, Ataner.
.....Éz se enfurece e diz que não gosta que Sacul faça esse tipo de coisa, que ele deve se esforçar para estar exausto no horário do colégio. Sacul diz que não tem conseguido ficar exausto ultimamente. Éz acha isso estranho, pois o mesmo tem acontecido com ele também.
.....No dia seguinte, o chefe de Éz convoca uma reunião de emergência com todos os funcionários.
.....-Estamos indo muito mal. Nosso nível de produtividade tem subido cada vez mais! Já é o terceiro mês seguido que produzimos algo. Vocês devem se esforçar mais para ficarem exaustos e dormir! O que estão pensando? Vejam o meu exemplo. Ás vezes consigo ficar dois dias seguidos dormindo sem parar. Apenas com muita dedicação se consegue esse nível de ócio.
.....-Chefe, parece que meus filhos e seus colegas também tem estado muito motivados para produzir. Acho que é uma reação coletiva da sociedade. Quem sabe uma campanha desmotivacional para acabar de vez com isso?
.....O chefe de Éz se encaminha para a prefeitura de sua cidade para conversar com o prefeito. Após alguns minutos, os funcionários da prefeitura conseguem acordar o prefeito, que dormia profundamente.
.....-É bom que seja importante - diz o prefeito, irritado com a interrupção.
.....-Mas é. Tenho notado que meus funcionários tem produzido acima do esperado. Não têm conseguido ficar ociosos, assim como seus filhos. Está parecendo uma reação da sociedade como um todo. Devemos tomar medidas drásticas.
.....Após pensar um pouco, o prefeito resolve investir pesado no assunto. Nos meses seguintes, todas as camas das escolas e repartições públicas são trocadas. Agora são modelos muito mais confortáveis e macios. Calmantes começam a ser distribuídos nos pontos de ônibus e estações de metrô. São criadas as Casas do Sono, onde os jovens passam a se reunir para dormirem juntos, um grande evento social. Também é criada a revista em quadrinhos do Homem-Sono, um heroi que possui super poderes do sono, como o de induzir o sono nos seus aliados, e insônia nos seus inimigos.
.....Em alguns meses, a situação da cidade se normaliza. Todos estão dormindo tranquilos, sem produzir coisa alguma, no mais perfeito ócio. Éz é condecorado funcionário do mês por conseguir dormir mais horas seguidas do que todos os outros funcionários juntos. Éz repete este feito por três meses seguidos, e então, seu chefe o convoca:
.....-Éz, por sua grande falta de esforço e desmotivação descomunal, irei promovê-lo. A partir de agora, você é vice-presidente da empresa.
.....Éz, com os olhos cheios d'água, abraça seu chefe, e diz que irá se esforçar para tornar-se o funcionário mais inútil da história.
.....Todo os dias, às 08:00 AM, Éz se deita para dormir na sua sala de trabalho. Sonha com a sua morte e com o fim do mundo. Dorme como um velhinho de 90 anos. Mas nesse dia ele não estava com muito sono, resolve se levantar e fazer algo de produtivo. Logo seu chefe aparece:
.....-O que está fazendo? Volte a dormir.
.....-Desculpe, chefe. Não estou com muito sono.
.....-Dirija-se imediatamente para a Sala do Cansaço.
.....Éz tira seu pijama e veste uma roupa esportiva. Está na hora de se livrar de toda essa energia horrível que está em seu corpo. Chegando na Sala do Cansaço, ele veste um roupão de chumbo, que pesa 50 quilos. Um dos Instrutores do cansaço o aborda:
.....-Então, funcionário Éz, qual seu problema hoje? Já é a terceira vez esta semana que aparece aqui.
.....-Não sei, tenho me sentido muito disposto ultimamente. Não tenho conseguido dormir as 16 horas diárias necessárias.
.....-Muito bem, vamos ver o que posso fazer. Vamos começar com uma série de levantamento de peso.
.....O funcionário entrega a Éz um cubo de 100 quilos. Éz urra de desespero tentando levanta-lo. Despois disso, eles se encaminham para a piscina de mercúrio. Após vestir uma máscara protetora, Éz nada alguns minutos, mas são necessários quatro funcionários para retira-lo do fundo da piscina. Éz conseguiu ficar exausto.
.....Ele é carregado numa maca e colocado em sua confortável cama. Ele consegue completar sua cota diária de sono. Chegando em sua casa, encontra sua esposa e seus filhos.
.....-Olá, querido! Como foi seu dia? - pergunta Airam.
.....-Muito pouco produtivo, querida!
.....-Ah, que bom!
.....-E vocês crianças? Como foi no colégio?
.....-Não fizemos nada! - responde o filho, Sacul.
.....-Mentira! Ele se levantou da cama e ficou estudando geografia! - delata a filha, Ataner.
.....Éz se enfurece e diz que não gosta que Sacul faça esse tipo de coisa, que ele deve se esforçar para estar exausto no horário do colégio. Sacul diz que não tem conseguido ficar exausto ultimamente. Éz acha isso estranho, pois o mesmo tem acontecido com ele também.
.....No dia seguinte, o chefe de Éz convoca uma reunião de emergência com todos os funcionários.
.....-Estamos indo muito mal. Nosso nível de produtividade tem subido cada vez mais! Já é o terceiro mês seguido que produzimos algo. Vocês devem se esforçar mais para ficarem exaustos e dormir! O que estão pensando? Vejam o meu exemplo. Ás vezes consigo ficar dois dias seguidos dormindo sem parar. Apenas com muita dedicação se consegue esse nível de ócio.
.....-Chefe, parece que meus filhos e seus colegas também tem estado muito motivados para produzir. Acho que é uma reação coletiva da sociedade. Quem sabe uma campanha desmotivacional para acabar de vez com isso?
.....O chefe de Éz se encaminha para a prefeitura de sua cidade para conversar com o prefeito. Após alguns minutos, os funcionários da prefeitura conseguem acordar o prefeito, que dormia profundamente.
.....-É bom que seja importante - diz o prefeito, irritado com a interrupção.
.....-Mas é. Tenho notado que meus funcionários tem produzido acima do esperado. Não têm conseguido ficar ociosos, assim como seus filhos. Está parecendo uma reação da sociedade como um todo. Devemos tomar medidas drásticas.
.....Após pensar um pouco, o prefeito resolve investir pesado no assunto. Nos meses seguintes, todas as camas das escolas e repartições públicas são trocadas. Agora são modelos muito mais confortáveis e macios. Calmantes começam a ser distribuídos nos pontos de ônibus e estações de metrô. São criadas as Casas do Sono, onde os jovens passam a se reunir para dormirem juntos, um grande evento social. Também é criada a revista em quadrinhos do Homem-Sono, um heroi que possui super poderes do sono, como o de induzir o sono nos seus aliados, e insônia nos seus inimigos.
.....Em alguns meses, a situação da cidade se normaliza. Todos estão dormindo tranquilos, sem produzir coisa alguma, no mais perfeito ócio. Éz é condecorado funcionário do mês por conseguir dormir mais horas seguidas do que todos os outros funcionários juntos. Éz repete este feito por três meses seguidos, e então, seu chefe o convoca:
.....-Éz, por sua grande falta de esforço e desmotivação descomunal, irei promovê-lo. A partir de agora, você é vice-presidente da empresa.
.....Éz, com os olhos cheios d'água, abraça seu chefe, e diz que irá se esforçar para tornar-se o funcionário mais inútil da história.
domingo, 3 de maio de 2009
Poema de um Menino de 2 Anos
Eu gosto do papai
Eu gosto da mamãe
Eu tomo leite
Eu faço cocô
Brincar é bom
É melhor do que não brincar
Se não brinco durmo
Se não durmo brinco
As meninas são estranhas
Não possuem torneirinha
São chatas e implicantes
Tenho nojo de menininhas
Mamar é divertido
É uma bricandeira que alimenta
É bem melhor que papinhas
Aquelas gosmas nojentas
Papinhas são boas para brincar
Passar nas paredes e móveis de casa
Meu pai não gosta que eu faça isso
Ele não entende o prazer que isso me dá
Adoro brincar com os meus brinquedos
Nada melhor que espalhar todos eles pelo chão
De forma que não se possa caminhar no meu quarto
É tudo uma grande diversão
Espero mamar pra sempre
No bico daquelas tetas
Espero ter minha mãe para sempre
Me limpando e dando bronca
Quando escrevo nas paredes
Rasgo os meus livros
Me alimento de meleca
Ou tento engolir pequenos objetos
Depois de um dia cansativo
Chega a hora de dormir
Sonhar com os bichinhos
E muito xixi fazer
Eu gosto da mamãe
Eu tomo leite
Eu faço cocô
Brincar é bom
É melhor do que não brincar
Se não brinco durmo
Se não durmo brinco
As meninas são estranhas
Não possuem torneirinha
São chatas e implicantes
Tenho nojo de menininhas
Mamar é divertido
É uma bricandeira que alimenta
É bem melhor que papinhas
Aquelas gosmas nojentas
Papinhas são boas para brincar
Passar nas paredes e móveis de casa
Meu pai não gosta que eu faça isso
Ele não entende o prazer que isso me dá
Adoro brincar com os meus brinquedos
Nada melhor que espalhar todos eles pelo chão
De forma que não se possa caminhar no meu quarto
É tudo uma grande diversão
Espero mamar pra sempre
No bico daquelas tetas
Espero ter minha mãe para sempre
Me limpando e dando bronca
Quando escrevo nas paredes
Rasgo os meus livros
Me alimento de meleca
Ou tento engolir pequenos objetos
Depois de um dia cansativo
Chega a hora de dormir
Sonhar com os bichinhos
E muito xixi fazer
sexta-feira, 1 de maio de 2009
As Cores da Vida
Aqui vai um velho poema
Poesia de um outro tempo
Como um feixe de luz
Nos conduz de volta àquela época
Tempo sobre tempo
As ideias se embaralham
Os homens falam entre si
mas as palavras parecem não alcançar nenhum dos ouvidos
Vejo um pobre mundo de ideias surdas
E amores fracos
De calor dissipado
Sem amizades nobres
Uma nova página
Um outro dia
Minha vida pintada com novas cores
Novos dias me alucinam
Uma outra fala enaltecida
Várias almas
Muitas dores
Diversos significados
Um mesmo sonho
Sonhos, sonhos
Sonhos batidos
Sonhos largados
Sonhos de uma outra vida
Sonhos que ficaram esquecidos
Por outros sonhos soterrados
A nossa memória
Os caminhos de velhas estradas
estão levando a novos destinos
Um novo tempo amanheceu
Velhas ideias abandonadas
Tropeçando em suas cabeças
Caímos em uma enorme vala
Após quinze minutos de queda
Acordamos
Não somos mais o que conhecemos
Nem temos medo
Eu me vejo em você
Eu te vejo ao meu lado
Eu me vejo ao meu lado
Quando eu vejo você
Pense no que você mais gostaria de fazer em sua vida.
Pode ser algo que já aconteceu, ou que você queira que ainda aconteça.
Se imagine fazendo isso. Se sinta dentro da situação.
Os sons. Os cheiros. Os toques.
Tente criar ou recriar todo momento em sua mente.
Toda a experiência. Todo o sentimento.
Agora, imagine como você vai se sentir depois de o ter realizado.
A felicidade. O sentimento de realização.
Sentiram passar mas não sabiam o que era. Era como uma sensação diferente, como um calafrio. De vez em quando voltava. Sem avisar.
Pessoas gritando
No meio da noite
Canções e cantigas
De muitas gerações
E em suas mentes passam imagens
Sensações de uma vida inteira
Lá no fundo está escuro
E aqui tão claro
Essa luz que nos ofusca
Talvez nos traga alguma chama
Uma centelha de consciência
Ou uma consciência que chama
Saindo dessa luz
Somos coisa alguma
Nos transformamos em sombras
Em penumbras resplandecentes
Se olharmos bem
Do nada
Surgem as sombras
Poesia de um outro tempo
Como um feixe de luz
Nos conduz de volta àquela época
Tempo sobre tempo
As ideias se embaralham
Os homens falam entre si
mas as palavras parecem não alcançar nenhum dos ouvidos
Vejo um pobre mundo de ideias surdas
E amores fracos
De calor dissipado
Sem amizades nobres
Uma nova página
Um outro dia
Minha vida pintada com novas cores
Novos dias me alucinam
Uma outra fala enaltecida
Várias almas
Muitas dores
Diversos significados
Um mesmo sonho
Sonhos, sonhos
Sonhos batidos
Sonhos largados
Sonhos de uma outra vida
Sonhos que ficaram esquecidos
Por outros sonhos soterrados
A nossa memória
Os caminhos de velhas estradas
estão levando a novos destinos
Um novo tempo amanheceu
Velhas ideias abandonadas
Tropeçando em suas cabeças
Caímos em uma enorme vala
Após quinze minutos de queda
Acordamos
Não somos mais o que conhecemos
Nem temos medo
Eu me vejo em você
Eu te vejo ao meu lado
Eu me vejo ao meu lado
Quando eu vejo você
Pense no que você mais gostaria de fazer em sua vida.
Pode ser algo que já aconteceu, ou que você queira que ainda aconteça.
Se imagine fazendo isso. Se sinta dentro da situação.
Os sons. Os cheiros. Os toques.
Tente criar ou recriar todo momento em sua mente.
Toda a experiência. Todo o sentimento.
Agora, imagine como você vai se sentir depois de o ter realizado.
A felicidade. O sentimento de realização.
Sentiram passar mas não sabiam o que era. Era como uma sensação diferente, como um calafrio. De vez em quando voltava. Sem avisar.
Pessoas gritando
No meio da noite
Canções e cantigas
De muitas gerações
E em suas mentes passam imagens
Sensações de uma vida inteira
Lá no fundo está escuro
E aqui tão claro
Essa luz que nos ofusca
Talvez nos traga alguma chama
Uma centelha de consciência
Ou uma consciência que chama
Saindo dessa luz
Somos coisa alguma
Nos transformamos em sombras
Em penumbras resplandecentes
Se olharmos bem
Do nada
Surgem as sombras
Assinar:
Postagens (Atom)