domingo, 16 de maio de 2010

Sonífero

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Um ar de luar
E os sete dragões alados
Lutando no espaço
Até explodirem todas as dimensões
E os cacos caírem
Se misturando a tudo que sempre existiu

Dando origem a um novo olhar;
Aos mais profundos devaneios

Sinto quando você aparece
Acima de tudo
E carrega a minha vida
Pra um outro lugar
Bem aqui
Tão distante desse ponto
De sombras
Turvas
No meu travesseiro




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Vejam no Desce Mais Um
http://descemaisum.blogspot.com/2010/05/tecnologias-e-imagens-de-cavalos.html
Tecnologias e Imagens de Cavalos
Escrito para o tema "Reencarnação"

domingo, 9 de maio de 2010

Pedaços e Pessoas

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Oi, eu sou uma pessoa
E você é outra

Nós somos duas pessoas

Uma em cada lugar no espaço
E nós estamos entrando em contato

Eu olho pros seus pedaços
Eles estão todos juntos e grudados
Criam uma sensação de unidade no teu corpo
Você é uma união de vários pedaços
Que juntos se tornam algo maior
Algo que é mais do que a soma das partes

Eu me vejo e sou como você
Uma união de várias partes
Em frente ao espelho
Posso me ver por inteiro
E constatar este fato

Mesmo estando próximos
Consigo ver as nossas fronteiras
Vejo onde eu termino
E onde você começa

E nós não somos grudados
Nem dividimos a mesma cabeça
Muito menos outras partes do corpo
Somos independentes, um do outro

Eu te olho e você me olha
Podemos nos ver
A luz torna isso possível

Eu te toco e você me toca
Podemos nos tocar
Os átomos tornam isso possível

Podemos nos fundir
Viramos um ser apenas
O amor torna isso possível




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Vejam no
http://descemaisum.blogspot.com/2010/05/dentro-da-bermuda.html
"Dentro da Bermuda"
Escrito para o tema da semana: "Sobre sonhos e pesadelos"
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domingo, 2 de maio de 2010

A Espera

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Eu fui até lá
E lá te esperei
Você não disse que ia
Mas eu te esperei
Esperava que você fosse
Que pensasse em mim
E aparecesse
Todos foram, menos você
Todos, até os que não iriam

Depois que todos saíram
Ainda fiquei a esperar
Podia ser que você aparecesse
O segurança pediu para que me retirasse
Mas eu disse que estava a te esperar
Ele não não entendeu e saiu
Apenas eu fiquei

E lá eu fiquei
De lá nunca mais saí
Lá fiquei várias horas
Vários dias, anos e séculos
Mas por algum motivo você nunca vinha

Esperei tanto que morri
E novamente nasci
Esperei tanto que não sei se isto já foi
Ou se ainda está por vir
Esperei tanto que não sei mais
O que é não esperar
Esperei tanto que o chão sob meus pés
Já deixou de existir
Esperei tanto que o tempo da espera
Supera a idade do universo
Esperei tanto que a espera se tornou concreta
E nela podemos tocar
Esperei tanto que a espera emitiu um som
Que agora é o único som a soar
Esperei tanto que somente da espera posso lembrar
E nem sei mais quem sou, além de alguém a esperar

Mas por ser tolo
Nunca me dei ao trabalho de te ligar
Você que estaria do outro lado da linha
Apenas esperando eu te chamar





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http://descemaisum.blogspot.com/2010/05/festa-na-usina-nuclear.html
"Festa na Usina Nuclear"
Escrito para o tema da semana: "Realidades Inventadas"
(contém uma montagem tosca feita por mim...)

domingo, 25 de abril de 2010

Alegria Viril

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Eu meto o meu pau com muita violência em você.
Meto rápido, com muita velocidade.
Sem me importar se você já quer que eu meta.
Ou se está lubrificada.

Eu meto e foda-se.
Se você sentir dor, melhor.
Meto com muita força.
Com toda a minha força.

Eu arrebento as suas ancas.
Continuo metendo até sua bacia estalar e quebrar.
Quando ela quebra, meto com mais força ainda.
Se os seus ossos quebrados rasgarem sua carne,
Melhor.
Desde que não me machuquem.
Se não soco os seus peitos.
Mas eu vou socá-los de qualquer forma.
Enquanto meto, soco.
Soco um de cada vez.
Depois de muito socar, os aperto.
Se não espirrar sangue pelos mamilos,
Continuo socando até sair.

A essa altura,
quando as ancas já estão quebradas,
E os mamilos espirrando sangue,
é por que devo estar quase gozando
É melhor você rezar para que eu não goze
Meu gozo vai explodir o teu corpo
Como uma bomba atômica
Vai espalhar seus pedaços
Não vai sobrar nada
Pois minha porra invade seu corpo
Com força, velocidade e violência
Toca na sua carne frágil
E a despedaça
Como uma bala de revolver faria
É possível até ouvir o barulho do choque
Entre a carne e a porra

Você está condenada à morte
Quando a minha porra entrar
Vai estraçalhar seus órgãos

Primeiro o útero
Depois o aparelho digestivo
Enquanto isso destroça os ossos
Coluna vertebral, costelas
E avança em direção ao crânio
Depois de estraçalhar o coração
Alcança a cabeça
Que explode como uma melancia podre
É nojento, tenho até que virar minha cabeça pro lado

Depois que sua cabeça explode
Posso parar de meter
Pois não haverá mais corpo em torno de meu pau
Seu corpo estará espalhado pelo teto e pelas paredes

Então caminho pro banheiro
Me limpo
E sorrio pro espelho
"Tenho orgulho de você", digo pro meu reflexo.
"Pois você é homem de verdade."





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http://descemaisum.blogspot.com/2010/04/impressoes-acerca-de-uma-realidade.html
"Impressões acerca de uma realidade objetivamente relativa sob o ponto de vista de alguém numa realidade subjetivamente absoluta"
Não me responsabilizo por esse texto; foi considerado impróprio para menores de 30 anos de idade e proibido em 45 países.

domingo, 18 de abril de 2010

Os Sentimentos da Casca de Banana

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Os sentimentos da casca de banana não podem ser negligenciados. A casca de banana se relaciona muito bem com a Revolução Francesa.

A Revolução Francesa gosta de conversar com a casca de banana sobre matemática. Juntas, elas contam de zero até cento e cinquenta e seis. Só não contam mais por não terem aprendido no Instituto Matemático.

No Instituto Matemático, dentre outras coisas, se ensina a gritar. Gritos altos, gritos mais baixos, até gritos tão inaudíveis que fica difícil dizer se uma caixa registradora está gritando ou não.

A caixa registradora que tenho na minha casa é de goma de mascar, assim como o Búfalo Senegalês Taciturno.

O Búfalo Senegalês Taciturno é muito alegre e comunicativo. Fala 398 palavras por minuto, uma marca impressionante comparada à dos habitantes das Ilhas Jandactiriba.

Nas Ilhas Jandactiriba as pessoas falam uma média de 3 palavras por minuto. O homem mais falante da ilha consegue dizer 26,5 palavras por minuto e trabalha como locutor. Ele já ganhou vários prêmios importantes de locução na ilha. Por ser o único locutor da ilha, ele sempre ganha todos os prêmios de locução disponíveis por lá. Além de ganhar todos os prêmios, também é dono dos institutos de locução que outorgam os prêmios. Mas as pessoas da ilha nem acham que o locutor está se beneficiando de maneira injusta, uma vez que não existem concorrentes na ilha e o seu trabalho de locução é considerado de excelente nível por seus compatriotas. E pelo Pomo.

O Pomo é o rei do mundo. Ninguém sabe mas ele é. Na verdade algumas pessoas sabem, mas a maioria ainda não foi comunicada; apenas as pessoas presentes na cerimônia de coroação tiveram notícia, nem as pessoas no salão ao lado souberam.

No salão ao lado estava tendo a Festa Temática da Cor Ocre. Nesta festa, as pessoas só podem se vestir desta cor. Além disso, tem de pintar a sua pele de ocre, assim como os olhos, dentes, gengivas, língua, cabelos, e unhas. A comida também deve ser toda da cor ocre. Caso alguma pessoa falhe em fazê-lo, é executada assim que adentra o salão. Apenas o Aparelho de Descascar Batatas não foi executado, pois ele executou o executante.

O Aparelho de Descascar Batatas é utilizados para fazer conferências sobre Astrologia Caramujística. A Astrologia Caramujística diz que os Aparelhos de Descascar Batatas são o que há de mais importante no nível espiritual da nossa dimensão. Mas não necessariamente em dimensões próximas à nossa.

Na dimensão detectada mais próxima da nossa, o mais importante espiritualmente é a Caneta Amarela. Nessa outra dimensão, que é chamada de RäwTlaxaxaK, escrever com uma caneta amarela é o sentido da vida das pessoas, assim como na nossa queremos amar, evoluir, nos divertir, ganhar dinheiro, fazer sexo (dentre outras coisas). Numa dimensão um pouco mais distante, Iooooooma, a coisa mais importante, dentre as poucas disponíveis, é lamber o assoalho imundo, quanto mais imundo melhor. Em Iooooooma, quando alguém lambe o assoalho sujo, o céu muda de cor, e um novo filme começa a ser exibido, pois lá, o céu está constantemente exibindo filmes pornográficos, por ser algo muito belo e abstrato (não existe reprodução sexuada por lá, a reprodução é feita utilizando papel carbono e suco de Ameixa Beta, que é excretado pelas unhas dos pés). Certa vez, caminhando pelas ruas da dimensão de TralhjasdoeirwPAI (uma dimensão idêntica a Iooooooma, só que menos onomatopéica) escorreguei numa casca de banana; ela reclamou que seus sentimentos estavam sendo negligenciados. Vocês não sabem como é raro encontrar uma casca de banana sentimentalmente resolvida em TralhjasdoeirwPAI.




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Eterna Busca Pelo Buraco
Relato sobre uma mente altamente sexualizada. Um pouco mais que o normal.

domingo, 11 de abril de 2010

A Vida de um Homem Superior

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Encontrei esta velha carta na Biblioteca Nacional. Estava numa pasta sem nome e numeração. Examinando outros documentos que estavam junto, descobri esta ser uma carta de suicídio. Por estar muito mal guardada e conservada, alguns trechos da carta ficaram ilegíveis; transcrevo aqui o que consegui ler:




"Meu nome é Glamânio Soutânrski Jamblepawn. Sou a melhor pessoa que existe.

O resto é um lixo. Não são nada, sou infinitamente superior. Comparar minha existência com a de outro ser humano é uma ofensa a mim. As pessoas que convivem comigo são abençoadas, suas existências se tornam mais agradáveis e belas por minha causa. As mulheres que tiveram contato vaginal comigo se tornaram seres elevados: minha mãe e todas as minhas amantes. Os homens me invejam ardentemente. Desejam minha morte a cada instante. É claro, sou tão superior a eles que nem necessito de mover os lábios, ou mover um músculo sequer para prová-lo. Dormindo sou superior à humanidade.

Os outros vivem sob minha sombra. São tão inferiores que a sombra de meus pés já é suficiente para os cobrir. Vivo lá em cima enquanto os outros ficam no chão, vivendo sua existência rastejante perante mim.

(...)

Quando espirro na rua, as pessoas correm para se infectar com os micróbios que foram lançados para fora do meu corpo. Quanto à minha saliva, o litro no mercado negro atinge valores estratosféricos. Um pouco abaixo da saliva está meu suor, por ser mais fácil de se obter. Possui um valor de mercado levemente inferior ao do litro da saliva, talvez uns 3 ou 4 milhões de dólares a menos. Meu catarro é considerado o manjar dos deuses. Ou o néctar; dependendo da consistência. Embora numa categoria abaixo, minhas fezes também são muito apreciadas, provavelmente estão entre as 10 fezes mais desejadas da atualidade.

Alguns colecionadores possuem outras coisas minhas como casquinhas de machucados, fios de cabelo, pedaços pele, de unha, bolinhas de meleca e sangue coagulado.

Mas nenhuma dessas substâncias pode ser comparada à substância mais cobiçada pelo Homem contemporâneo: meu sêmen, a fórmula para o outro eu. Nunca cedi nem uma gota sequer aos cientistas, que oferecem rios de dinheiro para mim e para todos os meus futuros descendentes em troca de uma mísera ejaculada. Eu seria louco se aceitasse. Imagine só, criarem um exército de eus, de semi-deuses, de gênios. O que seria do mundo se meus clones caíssem em mãos erradas?

(...)

Apesar de todas as qualidades que me tornam superior a todos os outros seres humanos, sou um sofredor. Um sofredor nato. Provavelmente um dos maiores sofredores do mundo, acreditem ou não. Ninguém sabe como eu o que é viver cercado de vermes imundos o tempo todo, em todo lugar, a vida inteira! Cercado por seres inferiores. E amado por eles. Qual o valor do amor de um verme? Um verme sujo e insignificante?? Nenhum, o amor desses animais não vale nada. Ninguém imagina a sensação de apenas conhecer pessoas inferiores a você. Não conheci ninguém que me inspirasse algo a vida inteira! Seja amor, paixão, respeito, amizade, raiva, ódio: apenas desprezo. Será que Deus não poderia me apresentar a alguém que, pelo menos, chegasse aos meu pés? Que não fosse digno de ser esmagado pelo meu sapato sujo de bosta? Queria pelo menos um dia na minha vida poder olhar nos olhos de alguém e sentir respeito e orgulho por essa pessoa, pois até hoje apenas vi pessoas que merecessem viver à minha sombra.

Quem dera ter alguém para dividir minhas angústias. Quem dera ter alguém para conversar sobre meus problemas. Ninguém me entende. Nenhum psicanalista poderia me ajudar, uma vez que nenhum outro ser humano nascido chegou perto do que sou; nossas mentes se diferem demais.

(...)

Deus! Onde estás??? Me colocaste aqui, nessa terra-de-ninguém! Sem ninguém para conversar, para amar, para conviver.

(...)

Se hoje houvesse ao menos mais alguém no mundo, poderia ter mais certeza da minha superioridade. Por que hoje, apenas vejo sombras."




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Felicidade Peculiar
Poderia dizer que é uma espécie de quadro escatológico doentio. Eu acho.

domingo, 4 de abril de 2010

A Minha Rua

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A rua está cheia de pessoas
E elas todas estão ali
Na rua

Todas ficam ocupando o espaço
Que saco
Gosto de ter todo o espaço da rua
Só pra mim

-Saim da rua, ela é minha!

Mas as pessoas parecem não dar muita bola

Então saco o meu revolver
Todos ficam assustados e se afastam de mim
AHAHAHA, como sou poderoso
O meu revolver tem o poder de dominar
E ordenar.

Vou amar o meu revolver
Para sempre
Ele me dá conforto e confiança
E faz as pessoas me respeitarem

Com a força dele, e a minha inteligência
Vamos dominar o mundo
Assim, poderei deixar a rua só pra mim

Para que eu fique só
Sem ninguém por perto pra dar saudade





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Vejam no Desce Mais Um:
http://descemaisum.blogspot.com/2010/04/poema-da-puta.html
Poema da Puta
Um lindo poema sobre uma puta. É.

domingo, 28 de março de 2010

Entrando de Lado Para Evitar os Obstáculos Invertebrados

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A framboesa estava dentro da bengala pânica
A cordilheira era ondulada na palma da minha mão
E eu caí num buraco aguado e cerimonioso
O poste, aos prantos, disse "Sou, e não vivi"
A luz elevou a essência do perfume cadavérico
Debaixo do talão de cheques estava o império perdido
O bolinho de bacalhau declarou a sua homossexualidade
Da lanterna saíram os canibais astutos
A lareira molhou toda a felicidade da areia
Eu telefonei para minha estante de sopas
Carregaram os fósforos doces através das ilhas submersas
A nacionalidade russa indagou os malabaristas de plantão
As paredes não estacionaram o ventríloquo no calombo adjacente
Das seringas foram entoadas canções alegres e de histeria
Pisei no pedaço de lambida retórica
O padre pulou do chão até o monge mórbido
O livro retardou o envelhecimento das urtigas nômades
Esmaguei tua pátria seletiva com o jambo da minha trave
Sai daqui, da nova ordem suicida, de novo estou alterando instantes

Sonhei mas nunca acordei
Do que sei, nada aprendi
Talvez seja o que nunca vou ser
De você nunca vou esquecer




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http://descemaisum.blogspot.com/
A Minha Bigorna
(tem até uma foto dela, é uma bela e simpática bigorna)

domingo, 21 de março de 2010

Dentro

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Ansioso
Como
Pessoa
Tenho todos os sonhos do mundo

Me vejo
No ato

Falho

Ao tentar compreender minhas casas
De tanto tempo

Atrás

Fora de mim
Há tanta coisa

Agora

Depois
Um outro dia

Nasceu
A minha vida
Na tua

Vem aqui e me fala tudo sobre um outro dia qualquer

Agora
Do lado de fora




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Parto Invertido
ATENÇÃO:
Esta postagem possui uma montagem muito tosca feita por mim.

domingo, 14 de março de 2010

Relato Sobre Meu Desaparecimento


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Existem alguns momentos em que não há nada a se fazer. Apenas as ideias do que poderia ser. Não sabemos como agir diante de tamanha responsabilidade. Não sei bem o que vai acontecer a partir de agora, só sei que de tudo que aprendi, isso não enquadra em nenhuma categoria. Vou-lhes contar o que houve.


Certa manhã acordei respirando normalmente. Até que me levantei e caminhei para o banheiro. E lá ele estava: em frente ao espelho. Assim que entrei pude vê-lo. Cheguei perto do espelho e o olhei bem nos olhos. Onde, normalmente, em frente ao espelho eu me encontraria, encontrei outra pessoa. Eu continuava sendo eu, mas quando olhava no espelho via outro indivíduo, um desconhecido. Fiquei atordoado por um instante, mas imaginei que fosse algo momentâneo, que mais tarde aquilo iria voltar ao normal.


Saí de casa e fui comprar pão e leite na padaria que costumo frequentar. Sorri para o vendedor, fiz meu pedido e comentei sobre o jogo do dia anterior. Ele me respondeu e eu falei "É, Jorge, o Flamengo não está tão bem agora que trocou de técnico". Ele se espantou por um instante quando disse o seu nome, mas apenas assentiu com a cabeça. Logo depois disso, rapidamente saiu do balcão e entrou para o fundo da loja, onde não poderia vê-lo. Sem dar atenção ao comportamento do vendedor, voltei para casa.


Em seguida, me liga Gerônimo, me convidando para uma festinha em sua casa. Gerônimo possui um apartamento muito grande, ótimo para festas e encontros sociais. Fui tomar banho. Entrando no banheiro, vi que ele ainda estava ali. Me preocupei de sua fisionomia ainda estar ali, mas como estava em cima da hora, me apressei em ficar pronto.


Chegando no apartamento de Gerônimo toquei a campainha. Alguém que não conhecia abriu a porta. "Oi, sou amigo do Gerônimo". A pessoa me deixou passar. Havia muita gente no apartamento, estava intransitável. A maioria rostos desconhecidos. Achei que deveria ter perguntado a ele se haveria mais conhecidos meus na festa. Procurei por Gerônimo por alguns instantes e desisti. Achei que deveria conversar com alguém que estivesse por ali mesmo, e que ocasionalmente esbarraria com meu amigo.


Conversei com algumas pessoas por alguns instantes, pessoas que não conhecia. Contei-lhes sobre como havia conhecido Gerônimo e de nossa convivência na faculdade. Pediram para ver o documento, a carteira de estudante, me acharam muito novo para estar na faculdade. Procurei mas não encontrei. "Devo ter deixado em casa". Encontrei minha identidade e mais alguns papéis que não dei a devida atenção no bolso da trás de minha calça. Uma das pessoas, assim que retirei a identidade do bolso, a pegou de minha mão. Alguns deles riram, disseram que eu estava diferente e que aquela foto era muito engraçada. Um pouco irritado, arranquei a identidade de suas mãos e recoloquei no meu bolso traseiro, me afastando.


Procurei mais um pouco por Gerônimo (mas quantas pessoas desconhecidas!) e finalmente o avistei. Estava em um grande grupo, conversando. Por ser um grupo muito grande, e por não conhecer mais ninguém além de meu amigo, fiquei com vergonha de entrar no meio deles. Fiquei por perto tentando acenar para Gerônimo. Quando ele finalmente me viu, acenei vivamente, sorrindo. Ele apenas assentiu com a cabeça, levantando as sobrancelhas, dando um meio sorriso, mas logo desviou sua atenção para o grupo novamente. Havia olhado para mim como se não me reconhecesse, ou pelo menos como se não tivéssemos nenhuma intimidade, e eu o estivesse quase incomodando. Aquilo me deixou um tanto consternado, e resolvi voltar para casa.


No dia seguinte fui visitar meus pais. Havia combinado de almoçar na casa deles. Para evitar os aborrecimentos do dia anterior, resolvi não me olhar no espelho, com esperança de que isso fosse ajudar em algo. Chegando na grade da portaria cumprimentei o porteiro. Perguntou aonde eu ia, como se nunca tivesse me visto. Disse "ora, na casa de meus pais, no 401". "Qual seu nome?", perguntou enquanto interfonava. Antes que eu pudesse responder ele falou algo no interfone com meus pais e abriu. Talvez sejam muitas pessoas, não seria tão estranho ele não se lembrar de mim, afinal, vou muito pouco à casa de meus pais, e é um prédio com muitos moradores.


Ao chegar à porta do apartamento entrei, a porta já estava aberta. Encontrei minha mãe e meu pai sentados na sala. Assim que comecei a falar algo os dois olharam para mim e se levantaram. Seus olhares eram de confusão. Depois olharam-se. Me aproximei e eles recuaram. "Quem deixou você subir?", respondi que foi o porteiro. "Não está me reconhecendo?", perguntei. Olhei para minha mãe, e ela apenas olhava assustada para meu pai. Ele pediu para que eu me retirasse imediatamente ou iria chamar a polícia. "Mas pai, sou eu, pai! Sou eu..." mas não consegui dizer meu nome. Resolvi pegar minha identidade. Quando a olhei fui tomado pelo horror. A foto de minha identidade não era de meu rosto, mas sim, a do homem estranho que vi no espelho de meu banheiro. Além disso, estava escrito um nome que não conhecia. Diante disso nem havia como argumentar com eles, afinal, nem eu sabia mais quem eu era. Totalmente transtornado, saí correndo de lá, aos prantos e voltei para minha casa.


Já em casa, procurei por fotos minhas, mas não achei. Me condenei pelo fato de nunca ter me importado muito com fotos. Definitivamente, não havia como provar que aquele homem não era eu. Para me convencer de meu desaparecimento do mundo real, resolvi tentar uma última vez. Combinei com a garota com quem estava saindo de nos encontrarmos no shopping, lugar onde não haveria risco de ocorrer algum escândalo. Chegando ao local marcado, a avistei. E ela a mim. Mas nada fez, continuou esperando por "mim". Para comprovar sua inocência, ainda lhe perguntei as horas e ela respondeu com a maior naturalidade, mal desviando sua atenção a mim.


Me afastei, mas continuei de olho nela. Meia hora depois ela liga para meu celular. Lhe digo que houve um imprevisto e que não poderei encontrá-la. Depois disso ela se levanta de onde estava e começa a se dirigir para a saída do shopping. Antes disso a intercepto e começo a conversar com ela. Ela realmente não se lembra de mim. Por conhecê-la um pouco, falo e faço as coisas certas, e logo estamos em sua casa, em sua cama. Saio no meio da noite enquanto ela dorme.


Uma vez em casa, procuro por objetos, papéis, documentos, que provem às pessoas quem eu sou, mas mais uma vez nada encontro. Me dou conta de que antes de convencer os outros, deveria me convencer antes, pois já estava começando a desconfiar de mim mesmo. Não havia nenhuma evidencia de que eu não era esse outro homem. Por isso fiz o que parecia ser mais sensato no momento: resolvi assumir a identidade desse homem. Decorei o seu nome e passei a me identificar como sendo ele, embora não tivesse a menor ideia de quem ele era. Arranjei um novo emprego, e comecei a frequentar um novo círculo social.


Os anos foram passando e já havia me acostumado com a situação. Já nem pensava mais nele.
Até que um dia andando pela rua me acharam.

-Carlos!
-...
-Carlos!!! Cara, você sumiu! Por onde tem andado?
-Ah, você sabe... por aí... ("Carlos?", pensei)
-É, Carlos, tu desaparece, nem dá sinal de vida.
-Tive uns problemas aí... bom, todo mundo tem problemas, não foi nada de mais. A vida leva a gente pra lugares que agente nem imagina, sabe? Num momento estamos aqui, num outro... nem sabemos mais onde estamos.
-Sei... Bom, devo ir agora. Não some não, hein?
-Pode deixar! Até.


Volto para casa. Me olho no espelho e lá estou eu novamente. Após todos esses anos, aqui me encontro outra vez. Nem um sinal do homem misterioso, mal posso acreditar. Resolvo vasculhar a casa novamente. Embora sejam poucas, acho algumas fotos minhas, e alguns objetos que só poderiam ser meus, como um caderno de desenhos de quando era pequeno. Embaixo de um móvel acho minha identidade, com o meu nome escrito nela. E com uma foto minha. Pego minha carteira e procuro a identidade do tal homem, mas não consigo mais a encontrar. Parece que definitivamente ele se foi.


E tenho vivido normalmente como eu. Por muito tempo não tive notícias do tal homem, até que certo dia o vi andando pela rua, com o olhar perdido e de desamparo, mas preferi não pará-lo para conversar. E por que haveria de falar algo com ele? Não tenho a menor ideia de quem seja...



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Os Ossos Estalando

domingo, 7 de março de 2010

Lado Obscuro das Emoções



Certo dia, as pessoas da vila X acordaram um pouco melancólicas. Com o passar das horas, a melancolia se transformou em tristeza. E depois, em depressão profunda. As pessoas já não conseguiam fazer mais nada, apenas ficar sofrendo. Começaram então todas a chorar, histericamente, embora não soubessem o porquê. As horas foram passando e não conseguiam parar de chorar. Começaram a aflorar os sentimentos suicidas. Em mais algumas horas, as pessoas começaram a se suicidar, até que não sobrou mais ninguém na vila.

Certo dia, as pessoas da vila Y acordaram alegres. Com o passar das horas, a alegria se transformou em animação. E depois, em entusiasmo eufórico. As pessoas já não conseguiam fazer mais nada, apenas ficar num estado de júbilo eufórico descontrolado. Começaram então todas a rir, histericamente, embora não soubessem o porquê. As horas foram passando e não conseguiam parar de rir. Começaram a aflorar os sentimentos suicidas. Em mais algumas horas, as pessoas começaram a se suicidar, até que não sobrou mais ninguém na vila.



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Interações Pós-Podrão