domingo, 31 de janeiro de 2010

Suturas

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Sorvetes
Tempestades solares
Código de Hamurabi
Bicicleta de antologia
Clérigo de coleira
Ratazanas soltas
Sacos de lambuja
O sonho de Rigoletto
Saias catequisadas
Quanto tempo, tempero
Saídas de Janeiro
Fórmulas de papiro
Requeijão brasileiro
Fogos de artifício
Sonolências do cosmos
Périplos a dar pro povo
Ondas de quizumbas
Só chove se for Dezembro
Agora, é pras cervejas
De novo, só de futuros
As casas



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Sempre Como na Primeira Vez

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sobre uns Troços

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Há mais ou menos muito tempo atrás, bom, pelo menos uma quantidade razoável de tempo atrás, vários anos, , aconteceram várias coisas, várias coisas que várias pessoas fizeram, várias pessoas diferentes que fizeram coisas que foram muito importantes pra uma parte bem grande da humanidade, , pessoas que fizeram coisas, de certa forma, significativas, e que foram consideradas importantes por quem estuda esse tipo de coisa, , esse troços, o que aconteceu foi que tiveram, assim, várias pessoas que se juntaram, , e aí elas todas queriam alguma coisa, e elas se juntaram e exigiram que outras pessoas fizessem troços pra elas, , troços importantes que elas queriam muito, e pra conseguirem isso elas tiveram todas que se juntar, , e que fazer umas espécies de revoluções e cometer suicídio coletivo, esse tipo de coisa, e então quando algumas das coisas aconteciam, essas coisas que elas queriam, elas ficavam muito felizes, e comemoravam e tal, mas se não acontecia nada elas ficavam irritadas e violentas, e faziam várias outras coisas e chamavam outras pessoas ainda, pra conseguir fazer o que elas queriam, e se elas não conseguissem, as pessoas que chamaram, elas cometiam suicídio e muitas pessoas ficavam com pena delas, enquanto outras começavam a considerá-las muito legais e importantes pra humanidade, mas caso as coisas acontecessem, as pessoas que queriam as coisas seriam consideradas herois, e seriam muito amadas pelas pessoas todas, ou então poderiam ser consideradas ruins e cruéis, fazendo com que todo mundo odiasse elas. As coisas sempre foram assim, desde sempre, e são assim ainda hoje, , só que as coisas que aconteciam antigamente não acontecem mais hoje, só algumas, às vezes, mas geralmente, hoje acontecem outras coisas, diferentes das coisas antigas. As coisas de hoje são diferentes das antigas pois os tempos mudaram. Muito. Os tempos mudaram, justamente, por que várias pessoas se juntaram e fizeram com que outras pessoas fizessem o que elas queriam, então, as coisas que essas pessoas queriam, acontecendo de fato ou não, mudaram as coisas. Só o fato de as pessoas terem sido chamadas e tentado mudar as coisas, mesmo não conseguindo, mudou uns troços. E hoje nós vivemos sob essas mudanças dos troços, ou de sua tentativa de mudança dos troços. A gente se levanta todo dia, vive o dia, dorme, e não se da conta de que o nosso dia é assim, justamente, pela mudança de troços, ou não mudança de troços. Se não tivessem tido tentativas de mudar troços e coisas, nossa vida iria ser toda diferente. Teriam várias coisas diferentes, e nossa vida seria diferente por causa disso. Sem essas mudanças ou tentativas de mudanças poderiam ter coisas melhores, ou coisas piores. Se tivessem acontecido mudanças boas, hoje poderíamos ter coisas melhores ou piores. Não da pra saber, sabe? E se tivessem acontecido mudanças ruins, poderiam, também, ter coisas melhores ou piores hoje. Isso acontece pois uma mudanças boa antiga poderia ser algo ruim hoje. E uma mudança ruim, poderia ser um troço bom, pra gente que vive hoje, . O mesmo vale pras tentativas de mudanças, tenham sido elas ruins ou boas, na época. Portanto, não podemos ficar nos lamentando se um troço ou outro aconteceu ou não, ou achando bom que aconteceu algo ou não aconteceu algo. Pois essas coisas, as mudanças ou não mudanças, poderiam, hoje, ser tanto boas quanto ruins, tantos as mudanças que eram boas quanto as que eram ruins. Não tem como saber. O melhor é ficar quieto e não pensar.
Mais simples.



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Noite poética
E Sangrenta

domingo, 17 de janeiro de 2010

Aplausos da Plateia

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-Boa noite, telespectadores! Estamos começando mais um Domingo com o Taturana, o prograna com a maior audiência da história.


(Aplausos da plateia)


-Hoje teremos várias atrações imperdíveis, grandes artistas da nossa geração, desse século, quiçá, desse milênio!!!


(Aplausos da plateia)


-Vamos chamar agora ao palco a banda Berenice Comeu Pastel de Feijão!


(Aplausos da plateia)


-Sejam bem vindos ao Domingo com o Taturana! Vamos conversar com o vocalista Jarst Wergon.
-Olá, Taturana, e um olá para esta plateia maravilhosa.


(Aplausos da plateia)


-Então, Jarst, fale-nos um pouco sobre o novo CD de vocês. "A Bisnaga de Fogo" é o nome dele, certo?
-Isso mesmo, Taturana. Esta semana estamos lançando nosso terceiro CD, que apesar de ser o pior, dá pra ouvir.
-Como?
-É, isso mesmo. Não tivemos ideias muito boas recentemente, pelo menos comparando com os outro CDs...
-Sei.
-...mas não quer dizer que o disco seja ruim, só é pior que os outros.


(Aplausos da plateia)


-Fale-nos um pouco sobre as música deste novo trabalho.
-Bom, os estilos variam bastante, assim com as letras. Nossas influências vão de música expressionista alemã até axé music, passando por Bjork, Egberto Gismonti, Wando, Richard Clayderman, André Rieu, Seal, John cage, por aí...
-Entendi.
-As letras falam de assuntos variados. Tentamos falar sobre temas diferente do usual. Pensamos que já existem músicas demais que falam dos problemas da pobreza. Então fizemos algumas músicas sobre os ricos, os seus problemas, suas tristezas. Só por que a pessoa é rica não quer dizer que seja feliz! Os ricos sofrem, tem sentimentos e necessidade de carinho e amor, assim como todo mundo que é pobre. Pensem nos ricos também, eles precisam do nosso calor e compaixão!!!!


(Aplausos da plateia. Com entusiasmo.)


-Você tem toda razão - diz Taturana, enquanto enquanto enxuga uma lágrima - o que mais poderia falar?
-Bom, fizemos uma música sobre pedofilia, afinal, tem pessoas que gostam disso, mesmo sendo crime, e apenas falar sobre isso em uma canção não é ilegal...
-Claro.
-...também fizemos músicas sobre a vontade de morrer, já que muitas músicas falam sobre a vontade de viver. Imaginamos que as pessoas que querem morrer vão ficar muito felizes com a mensagem de morte que essas músicas passam.
-Sei.
-E bom, o que, mais? Não me recordo mais. Ah, sim. Tem uma música que fala sobre o amor de dois hermafroditas, que se revezam no papel de homem ou mulher na hora do sexo.
-Que interessante. Desejo boa sorte com o disco de vocês.
-Obrigado, Taturana! Só gostaria de acrescentar que nós v...
-Faremos uma pequena pausa para os comerciais e já estaremos de volta.


(Aplausos da plateia)


COMERCIAIS


(Aplausos da plateia)


-Estamos de volta com o Domingo com o Taturana. E agora com vocês, o grande artista, Manganabo!!!


Aplausos da plateia.
As cortinas se abrem.


-Eu sou um artista, um grande artista, um dos maiores artistas do mundo, um dos maiores da história.

Então Manganabo pega sua shotgun e dá um tiro na cabeça da voluntária, que sorri intensamente por saber que está fazendo parte de uma obra de arte muito importante. O publico se levanta e aplaude de pé por um longo tempo, com muito gritos fanáticos:
-Bravo, bravíssimo!
-Gênio, gênio!
-É arte, a mais pura arte!
-Eu te amo, casa comigo!
-Nada se compara à sua arte, Manganabo!
-Eu também quero virar um objeto artístico!

Então Manganabo manda o outro voluntário subir no palco. Ele pede para ele pegar o corpo da mulher morta e segurar em seus braços.

-Agora sorria. Isso, mais, mais! Eu quero um grande felicidade, uma alegria descomunal!

E assim o voluntário fez. Então Manganabo pega a sua espada e começa a cortar a garganta do voluntário. Logo o voluntário começa a agonizar em dor e solta o corpo da morta.

-Não, não! Você tem que ficar segurando o corpo. Você deve morrer segurando ela, essa é a imagem que criei em minha mente artística.

O voluntário se abaixa e, com muito esforço, pega o corpo morto de cabeça estourada. Manganabo continua a cortar pescoço do voluntário até arrancar fora sua cabeça. O voluntário, morto, cai sentado na cadeira que havia atrás dele, segurando o outro defunto.


(Aplausos da plateia)


-É uma grande honra tê-lo em nosso programa, Manganabo!
-Sim, eu sei. Eu sou o melhor.
-Por favor, conte-nos sobre o seu trabalho.
-Bom, na minha infância meus pais não me deram muita educação. Meu pai era açougueiro e minha mãe prostituta. No dia em que completei 10 anos de idade, meus pais foram mortos por um homem que carregava uma espada, sem nenhuma razão aparente. Ele simplesmente nos parou na rua, e esquartejou meus pai, na minha frente...


(Plateia se assusta)


-...depois disse: "Vai e faz com os outros o que fiz com seus pais", e me entregou a espada. Assim que ele virou de costas cortei sua cabeça fora...


(Risos da plateia)


-...passei então a trabalhar como esquartejador de aluguel. Eu era muito bom, e não existem muitos na nossa cidade.
-Entendo.
-Após matar muitas pessoas, comecei a ficar um pouco entediado. Era muito monótono ficar apenas cortando os pedaços da pessoa, e etc... Comecei a matá-las de forma artística, fazendo belas esculturas de carne. Ou então fazendo colagens com os pedaços do corpo, algo que lembra um pouco as técnicas surrealistas de criação.
-Sim, claro.
-Por último, gostaria de aproveitar que estou em rede nacional, no programa de maior audiência da história, e realizar minha última obra de arte.
-Poxa, que bom! Vamos, realize-a!

Então Manganabo levanta sua espada e parte para cima de Taturana enquanto grita palavras inventadas por ele mesmo. Por sorte, Taturana consegue sacar sua arma e mata Manganabo com 27 tiros.


(Aplausos da plateia)


-Bem, e agora, a última atração de hoje!


(Aplausos da plateia)


-Com vocês, Manimey Ohandna, o homem que se auto-explode!


(Aplausos da plateia)


-Seja bem vindo ao Show do Taturana!
-Obrigado, Taturana.
-Então, conte-me sobre seu número de mágica.
-Bom, não é um número de mágica, é real.
-AHAHAHAHA


(Aplausos da plateia. E risos)


-Ok, você pode realizar o seu... qual o nome que você dá para seu... "ato"?
-"Explosão".
-Ah, ok. Com vocês, Manimey Ohandna, com sua "Explosão"...


BUM


(O estudio de gravação explode. Assim como o prédio onde o estúdio se encontrava. E o quarteirão onde o prédio se encontrava. E os bairros próximos também)



(Aplausos da plateia)




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Post novo:
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Bebedeira Surrealista.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Poema de um Homem de 65 Anos de Idade

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Já são
65 anos

O tempo passa rápido
Queria voltar a ser novo
Pra namorar meninas jovens

Mas digo isso
Com um sorriso no rosto

Toma este calendário
Está sobrando
Não preciso dele





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Retrospectiva 2009:
Amores Efêmeros 2

domingo, 3 de janeiro de 2010

Coisas Mundanas

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Todas as cores estavam presentes na passagem pelo portal
O menino cósmico se revelou conhecedor das coisas mundanas

O céu ficou cheio de pensamentos leitosos
E o chão desabou sobre o vácuo inexistente

Para os que não são daqui
Que se mudem

Para quem possui algo que não é meu
Que me devolva

Não existe nada numa outra dimensão
Mas aqui existe tudo que não se pode existir

Da palavra que sai de minha boca alada
Emana o cheiro retilíneo renovador

Para que rolar no chão
Se ele desabou

Melhor contar quantos dedos ainda tenho
Debaixo do céu da boca

O menino cósmico tentou fritar um ovo
Mas explodiu a cozinha

Agora que os que não eram daqui se mudaram
Acolheremos os que já são daqui

Olhando para o céu, o menino cósmico aprendeu
Que todos os dias podemos ver as cores do portal

Não apenas em ocasiões especiais
Pois elas não existem

O que existem são pessoas.





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Leiam
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Postagem de ano novo
ou melhor
Do futuro ano anterior

domingo, 27 de dezembro de 2009

O Outro Lado da Razão

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O homem acordou.
Escovou os dentes.
Tomou café.
Foi trabalhar.
Trabalhou.
Almoçou.
Conversou com os colegas.
Foi para casa.
Beijou sua esposa.
Abraçou os filhos.
Leu um livro.
Olhou para cima, e pensou:

"................"

E se deitou pra dormir.


Pois tudo que acontecia fora disso não importava.





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Ok, já mostrei esse poema pra algumas pesssoas, houve muita discussão e quebra-pau sobre o seu significado. Quem quiser pode me dizer o que entendeu (ou não) do poema, vou gostar de ouvir. Aliás, sempre gosto.

E vejam a postagem nova no
http://descemaisum.blogspot.com/
Fechando a semana com tema natalino, uma bela carta ao Papai Noel...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Festa Normal - ou - O Que Foi Dito No Microfone

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O homem chegou na festa.
Ele viu uma mulher gostosa.

-Ei. Você é gostosa. Eu quero te comer. Deixa eu chupar essas tuas tetonas deliciosas.

Aí a moça pegou o microfone e disse, para todos da festa:

-Ele me achou gostosa e quer me comer. E também quer chupar as minhas tetonas.
-Isso mesmo - completou o homem.

Então todos sorriram e aplaudiram os dois.
Então, no final dos aplausos, alguém começou a bater palmas ritmadas:
PLA PLA PLA PLA PLA PLA PLA PLA PLA

O homem e a mulher começaram a dançar e a tirar a roupa, enquanto todos batiam palmas ritmadas.
Todos os convidados da festa continuaram a bater palmas ritmadas e fizeram um círculo em torno do homem e da mulher, que já estavam despidos.

Aí o homem comeu a mulher.
E chupou as tetonas dela.
Então ele disse no microfone:

-Eu a comi e chupei as suas tetonas.
-Isso mesmo - completou a mulher.
-Agora, ela vai pagar um boquete pra mim.
-Sim, eu vou pagar um boquete pra ele.

Aí, a moça, ao som das palmas, pagou um boquete pro homem.

-Eu paguei um boquete pra ele - ela disse no microfone.
-Isso mesmo, foi muito bom - completou o homem - E agora, eu vou comer todo mundo que está aqui na festa.

Todos os convidados pararam de bater palmas ritmadas e se despiram. Depois de se despirem, todos ficaram de quatro, homens e mulheres, velhos e crianças.

Aí o homem comeu todo mundo da festa. Inclusive a mulher que ele já tinha comido. E disse no microfone:

-Eu comi todo mundo da festa.

E todos o aplaudiram, longamente. Foi um momento de muita emoção, até viu-se uma lágrima escorrer de seu olho direito.

-Estou muito feliz. E emocionado. Portanto, quero que todo mundo da festa me coma.

O homem ficou de quatro e todos da festa fizeram uma grande fila para poderem comer a bunda do homem.

Todos comeram a bunda do homem. Menos um pequeno bebê de um ano e meio de idade.

-Eu não consigo te comer, não sei fazer isso - disse o bebê, enquanto chorava envergonhado.
-Quando você crescer mais, eu te ensino a me comer.

E eles se abraçaram emocionados, com lágrimas nos olhos.

-Quando eu crescer, ele vai me ensinar a trepar - disse o menino no microfone.

Apareceu uma menina de um ano e meio e disse:

-Eu já sei trepar. Tenho ampla experiência. Vou te ensinar.

Então os bebês treparam até o amanhecer, ao som das palmas ritmadas.


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Tem post novo meu no
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Confiram
Uma ode à preguiça.

E fiz isso aqui
http://www.formspring.me/rafaelsperling
Quem quiser pode me fazer perguntas.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Fusão e Encontro Real

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A comida está sendo construída
Dentro de chips de pensamento
A árvore que virou abelha
Agora nada do concreto ao asfalto

Toda a mata das usinas naturais
Está assassinando o assombro magnético
Enquanto o sangue escorre pelas vigas de ferro
E os tucanos assinam tratados de guerras biológicas

No momento seguinte ao futuro passado
Encontramos o presente esquecido
Em caixas jogadas no mar de mercúrio potável
Onde moram formigas de gesso e de cobre

E as sombras alvas das nossas ideias digitalizadas
Cresceram a ponto de fazer ressurgirem os lapsos
Dos dias que teriam passado
Caso não tivessem sido arquivados

.

O vento bateu no rosto
E fez a cabeça sofrer erosão

A fábula correu pelos campos
E varreu a memória dos sonhos diurnos

Uma gota d'água caiu no chão
E carregou as casas subterrâneas

Mas
Teve algo que não aconteceu

.

O meu corpo invade o concreto
E o aço das grandes construções
Ele os destrói sem piedade
Os faz parecerem pó

E o meu corpo invade os chips
O concreto e o asfalto
Os transforma em passarinho
E no calor da carne

Eu bloqueio as guerras biológicas
E ressuscito os assombros magnéticos
Junto todos os tempos em um só
E mergulho no mar de mercúrio

Apago as memórias digitalizadas
Pois só as da mente importam
E grito para todos os homens
Que não há mais no que se perder

.

O que não é real
Nunca foi pensado

Só existem
As coisas que inventamos



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Tem post novo meu no
http://descemaisum.blogspot.com/
Confiram
É uma bela carta a uma prostituta.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Vinagre Imparcial

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Caminhando
Na navalha

Eu sinto o meu pé se despedaçando

Eu sinto minha cabeça se despedaçando
Quando eu ando com a minha cabeça
Na navalha

Mas isso não importa
Ontem eu comi bolo
Ele era de um sabor agradável

VIVA O BOLO

Tem alguém andando na calçada
A calçada é fora da minha casa
Logo, a calçada não é na minha casa
A pessoa está fora da minha casa
Pior pra ela
FODA-SE ELA

Prefiro quando está frio
É mais agradável
No calor é pior que no frio
Pois no frio
É mais agradável
É mais agradável

VAI SE FUDER
Eu não falei com você
Quem me dirige a palavra assim
Merece um soco na genitália
Bem dado
Até a genitália sumir

Tem gente que gosta de transar com mortos
Acho que nem tem muito problema
Se a mulher for bonitinha
E se ela não tiver perdido a genitália
Num acidente horrível

As flores são seres vivos
E são delicadas
Por isso
Morrem quando as esmago
Pois meu pé não é delicado
Ele é duro e foda

Eu gosto de cantar
AAAAAAAAAAAAAA
Minha voz é linda
Ela pode estourar seus ouvidos
E ela causa tesão nas pessoas
Por ser sexy e animalesca
Quem nem um tigre bravo

Eu sou uma pessoa
E espero
Que você também seja
Odeio falar com bigornas

Minhas gônadas estão queimando
Féculas do azul
Na luz cintilante
Dentro da noite que não é veloz

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Visitem o novo blog coletivo do qual agora faço parte:
http://descemaisum.blogspot.com/
Vou sempre postar nele aos domingos.
Estou estreando hoje no blog.
O texto foi taxado de "perturbador" e "doentio", de acordo com a "crítica especializada".

sábado, 28 de novembro de 2009

32 Anos de Balé

Este vídeo é do espetáculo "Clube da Cena", que este ano foi apresentado no teatro Gláucio Gil, aqui no Rio de Janeiro. Neste espetáculo, que acontece toda quarta-feira, são encenados sempre 7 novos textos, de diferentes autores. Esta esquete foi montada no dia 18/11/09, dia em que eu fui o autor convidado, e contou com os atores Renato Albuquerque e Zé Guilherme Guimarães (preciso ver quem fez o papel da mãe, e quem que dirigiu...).
Pra quem quiser ler, estou disponibilizando o texto da cena. E caso queiram saber mais sobre o Clube da Cena: http://clubedacena.blogspot.com/

Link para o vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=H8j_IYr8Ucs



Filho está lendo um livro/jornal.
Pai entra em cena.

-Filho?

-Sim, pai.

-Semana que vem teremos um dia muito importante, não?

-Importante? Ah, você se refere ao meu aniversário?

-Sim, claro!!!! 32 anos. Não é todo dia que completamos 32 anos.

-Ah, pai, que isso... 32 é uma idade qualquer. Um a menos que 33, um a mais que 31.

-Não, não diga isso. Quando completei 32 anos, há 75 anos atrás, fiz uma grande comemoração. Foi inesquecível.

-É... Imagino.

-Por isso, quero que você também tenha uma comemoração à altura deste marco histórico.

-Graaaande marco...

-Gostaria de saber qual o tema que você quer para a sua festa.

-O tema que eu quero? Como assim, você vai organizar uma festa temática pra mim?

-Sim, vou, claro.

-Mas, pai, você não sabe organizar festas. Quando foi a última vez que você organizou uma?

-Foi no dia da queda do Muro de Berlin. Eu e meus amigos colocamos nossas fantasias de nazistas e derrubamos o muro do quintal casa do Carlinhos, em homenagem à queda do muro.

-É, deve ter sido muito divertido.

-Então, meu filho, que tema você vai querer pra sua festa?

-Po, pai, sei lá! A última vez que tive uma festa temática eu tinha 6 ou 7 anos de idade.

-Sim, claro, eu me lembro bem.

-Ah, é? Foi uma festa de que?

-Foi uma festa de balé.

-O que? Que balé o que, pai!

-Sim, foi, claro. Você e seus amigos colocaram aquelas roupas de bailarina e ficaram dançando o "Quebra Nozes" e o "Lago dos Cisnes". Foi muito lindo, fiquei emocionado.

-É, não me lembrava disso... mas acho que não vou querer festa nenhuma não, pai. Vou sair pra tomar cerveja com meus amigos, ou algo do tipo.

-Tem certeza? Não quer que eu organize uma festa de balé pra você?

-Ta maluco, pai? É CLARO que não.

-Eu ainda tenho guardada a sua roupa de bailarina.

-Você tá falando sério?? Você é louco mesmo.

-Ah, essa roupa é uma graça. Confesso que, de vez em quando, depois que a sua mãe dorme, eu experimento a sua roupa.

-O QUE?

-Fica um pouco apertada, mas eu me sinto ótimo quando a visto. Me sinto uns 20 anos mais novo. Quer ver como ela fica em mim?

-NÃO! Pelo amor de Deus, não. Isso vai destruir a imagem de pai que eu tenho de você.


Mãe entra em cena.


Mãe: Astolfo, já falou com Plínio sobre a festa?

Pai: Já, Túlia. Mas ele diz que não quer...

Mãe: Como assim não quer???

Filho: É mãe, eu não quero ter uma festa de bailarina pra comemorar o meu aniversário. Isso é tão estranho?

Mãe: Mas é a tradição da nossa família.

Filho: Que tradição?

Mãe: Você não contou pra ele da tradição?

Pai: É, eu não esta querendo força-lo a isso, estava tentando convencê-lo.

Filho: Ahn?? Como assim ME FORÇAR?

Mãe: É, meu filho, nós já devíamos ter te contado.

Pai: Sim. Todos os membros do sexo masculino da nossa família, ao completarem 32 anos de idade, devem fazer uma festa de bailarina.

Filho: !!!!!!! Eu não acredito que estou ouvindo isso...

Mãe: Isso acontece desde o século XIV. É normal.

Filho: Normal? Bom, meus amigos não tiveram que se vestir de bailarina na festa deles.

Mãe: Claro isso não faz parte da tradição familiar deles.

(Pais se aproximam, ficam cada um de um lado de Plínio, tocam nele)

Pai: É, filho, pensa bem, no fundo você gosta disso. Lembra de você pequenininho... Vestido de balarina, lembra como era bom.

Mãe: Isso mesmo, Plínio, você chegou a me dizer que o seu sonho era fazer parte do Balét de Bolshoi.

Filho: Disse?

Pai: Claro, você tem que parar de se podar emocionalmente, tem que deixar fluir...

Mãe: Deve deixar que seus sonhos mais tenros aflorem


(Nesse ponto, ou um pouco antes, o filho começa realmente a se convencer de que ele quer ser uma bailarina. Então, aos poucos ele se levanta, e começa a fazer movimentos caricatos de balé. Enquanto isso uma música de balé conhecida, pode ser Quebra Nozes ou algo do tipo, começa tocar enquanto Plínio dança)

Enquanto Plínio dança, os pais podem continuar o encorajando dizendo coisas como "Isso, muito bem, meu filho" etc... Até o fade da luz.

domingo, 22 de novembro de 2009

Poema da Uretra

Assim que cheguei em casa me joguei no chão e comecei a lamber os tacos de madeira.
Eram deliciosos.
Depois, comecei a mordiscá-los e a mastigar pequenos pedaços.
Eles são um tanto saborosos.

Nada me dá tanto prazer quanto isso.

Nada.

Depois, minha esposa chegou em casa.

—Eu escrevi um poema para o seu pênis, bem do tamanho dele, um poema em vários capítulos.

Então ela abriu minha uretra e introduziu o poema pinto adentro.
Meu pênis, então, recitou o poema de uma forma belíssima.
Como poucos atores humanos poderiam fazer.
Era um pênis artista.

Enquanto isso, peguei nos seios de minha mulher e os apertei.
Os suguei de forma que saíram um pouco de leite duro, e sangue coagulado.

—Eles me fazem sentir tesão. Quero trepar agora.

Comecei a trepar com minha esposa, no chão de tacos da sala.
Como meu pênis enorme ainda estava a recitar o poema,
O som de sua voz ficou um pouco abafado por causa da reverberação vaginal de minha esposa.

Ela tem um boceta enorme.

Enquanto trepava com ela, comecei a chupar seu nariz.
Sua narinas eram muito sensuais.

—Escarre em mim.

Então ela soltou uma grande escarrada bonita, grossa e esverdeada, com pequenos pedaços de muco ressecado.

—Ó, como isso é delicioso.

Para completar, ela não depilava seu sovaco há 6 meses.
Ficava enrolando com os dedos, os cabelinhos de seu lindo sovaquinho peludo.
Não resisti e comecei a cheirá-los e a lambê-los.

—Seu aroma sovacal é podre e gostoso, da maneira que gosto.

Quando ejaculei em sua boceta, o resto de poema não lido por meu pênis ficou dentro de sua vagina.
Ele acabou originando um filho poético: Arcanboldo.

Arcanboldo, que foi gerado pelo útero de minha esposa em apenas 5 minutos.
Era feio e grotesco.
Ele fedia a bosta.
Tinha um rosto deformado, mal se distinguiam os olhos, nariz, boca e orelhas.
E o som de sua voz era esganiçado e se assemelhava a um peido.
Na verdade, seu corpo todo era uma massa disforme.
Mal se distinguiam pescoço, tronco, braços e pernas.
E por isso, nada podia fazer.
Apenas grunhia, se balançava para os lados, enquanto peidava e cagava nele mesmo,
pois seu ânus ficava no topo de sua cabeça.
E, para completar, sua urina saia pela ponta de sua língua, logo, ele a bebia toda.

—Nosso filho é a criatura mais podre e horrenda que Deus já criou.
É o pior filho que algum ser vivo poderia ter.
Não se parece conosco, se assemelha mais a um pedaço de bosta meu.

Então comecei a pisotear aquela criatura grotesca e bizarra.
A cada pisoteada, ela soltava gritinhos esganiçados, agudos, junto com jatos de sangue.

Minha esposa ficou horrorizada.

—Como pode fazer uma coisa dessas com a nossa criação?
Ele pode ser feio e fedorento, mas é nosso filho, devemos cuidar dele.

Eu a ignorei e continuei a pisotear aquela criatura que parecia um pedaço de esgoto moldado.

—Pare com isso ou irei matá-lo — gritou minha esposa.

Ela partiu para cima de mim.
Acertei um soco em seu seio esquerdo.
E chute em sua boceta.
E mais outro.
E outro.

Quando ela estava caída no chão, peguei o que sobrava de nosso filho horrendo,
e coloquei em sua boca.
Fiz com que ela comesse aquela criatura abominável.

Por nosso filho ser uma criatura tóxica, minha esposa morreu instantaneamente.

Como minha mulher estava morta, retirei seu ânus e coloquei no lugar de meu olho direito.
E no lugar de seu ânus, encaixei meu olho direito.
Então retirei o outro olho meu, o esquerdo, e o introduzi no lugar de meu ânus.
E peguei meu ânus, e coloquei no lugar de meu olho esquerdo.


Agora, vejo o mundo de forma anal.
E choro lágrimas de bosta.