quarta-feira, 22 de julho de 2009

Atos Heroicos


Estou amarrado
Numa estaca de madeira

Fui condenado pelos meus atos
Mas não fui informado por quais

Vejo ao longe;
Os espancadores estão vindo

Eles trazem grandes porretes
Pesados e maciços

Eles sorriem e se abraçam
Também trazem nas mãos suas cervejas

Estão todos felizes
Irão fazer o que mais lhes dá prazer

Eles se aproximam
Jogam as latas vazia em mim

Agradecem a presença do público
E começam a me espancar

Batem com força no meu corpo
Seus porretes estraçalham minha carne

Quebram meus ossos a cada golpe
Expõem minhas entranhas

Eles batem e gritam
Sentem prazer em cada golpe

De tanto baterem
Já não sobra quase nada na estaca

Meus restos estão todos no chão
Formam uma massa disforme vermelha

Eles se viram para o público
São aplaudidos entusiasmadamente

Muitos fogos de artifício são soltos
Canções heroicas são executadas

É um momento de muita emoção
Até eu choraria se não estivesse morto

Então eles se lançam ao chão
E começam a devorar meus restos

Comem rapidamente
Como se eu pudesse ainda escapar

Seus rostos ficam vermelhos de sangue
Assim como suas roupas

Ao terminarem de comer-me, se viram para agradecer ao público
Que os acompanhou nesse ato heroico

Mas eles não se lembraram que comendo-me
Agora eu fazia parte deles

Havia um pouco de mim em cada um dos espancadores
Eles se tornaram um pouco eu

Alguém no público os lembra que agora eles também são Eu
E que eles carregam um pouco da minha condenação

O público avança em cima dos espancadores
E os estraçalha sem piedade

Chutam e socam
Arranham e arrancam
Furam e esmagam

Agora compreendo por que fui condenado

Foi por nunca ter sido um espectador



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Gostaria de agradacer à Desi (http://desirestreet.blogspot.com/), que fez esse desenho pro meu poema.
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Gostaria de chamar a atenção para o blog do Lionel Fischer, crítico e professor de teatro, que me incluiu nos destaques do primeiro semestre da temporada teatral de 2009, pela trilha sonora da peça O Silêncio dos Amantes, com texto de Lya Luft e direção de Moacyr Góes (é pra quem não sabe, eu sou pianista e compositor, o blog ainda não paga as minhas contas):
http://lionel-fischer.blogspot.com/2009/07/temporada-teatral-de-2009-destaques-do.html

45 comentários:

Elton... disse...

O pior que é assim mesmo, você se nega a fazer parte da chacina e o condenam por estar correto. Aí um erro vai apagando o outro e tudo continua.

Érica disse...

O tempo todo estão observando. Os passos, as frases. A melhor história é sempre a que não nos compete. Ou quando se tenta fazer algo que valha, que sustente, que alente, ou sei lá, também somos expostos aos julgamento dos becos.
É triste, mas a hipocrisia existe, cabe a quem quiser não se contaminar.
Adorei o poema, perfeito.
Euf ico muito impressionada contigo, sempre coisas fantásticas por aqui.
Beijos

Henrique Miné disse...

Eu gosto da maneira como vc usa cenas e recursos "pesados", para dizer-nos até coisas boas. Embora esse poema pra mim, é acima de tudo triste, hehe.

Mais uma vez, parabéns. ;D

Abraços.

Aninha disse...

Nossa! q texto triste!!!
Mas... mto bem feito, parabéns!

bjinhos*/~

Aninha disse...

voltei... Sempre esqueço de comentar q eu gostei dessa listinha q calcula os comentários! =)
Eu estou em 3° lugar! hehe

bjinhos*/~

Natália disse...

Nojento e triste. abraço

Carla P.S. disse...

Continue com teu ar de poeta. Sei que vais..
Um café.

CátiaSofia disse...

Por vezes somos castigas injustamente e somos obrigados a pagar pelos erros dos outros.

Gostei*.*

Beijo grande.

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Parabéns pelo seu Blog!!!

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Desi disse...

oi, Rafa =)
é, acho que eu acabei quase decorando o poema, mas gostei de fazer ele e tbm de vc ter lembrado de mim aqui, fico feliz!
se tiver interesse e quiser outros, estou a disposição :D

beijooos!

Nara Andrade disse...

Muito bom; assim como todos os outros poemas são. É tudo muito cheio de sangue, estraçalhamento, mas acima de tudo, é tudo muito cheio de emoção. Parabéns, Rafael.
Um beijo.

disse...

Rafa, (sempre quero chamar-te por apelido..),

Nem consigo comentar o poema (não porque não tenha gostado, mas, porque vc postou um comentário que achei lindo). Você é pianista..amei saber...

Parabénssss, por vc ser essa pessoa especial (escritor, compositor, músico)

Bjosss no coração!! :**

Hélio Machado disse...

Um texto que revela como vivemos em sociedade hoje!!!

Se não somos espectadores, somos torturados e devorados...

Cuidado, quando cair um pedacinho perto de um espectador ele pode, sem pensar, comer um pedaço e daí...

Gosto muito daqui!!!

Abraços e parabéns pelo ótimo trabalho.

Lua. disse...

Me senti a espancada. Sem ser parte da massa pronta a ser devorada.
Adorei aqui.
Beijones :*

Gabriela M. disse...

ai, que forte.

compreendo bem a rejeição de não ser espectador.
o mundo espera que sejamos todos estereótipos. Uns dos outros. acho cruel.

Carol Duca. disse...

pianista e compositor ?

uhum.

Carol Duca. disse...

Ah, você deixa eu ir ?
Obrigada.
Agora sim estou liberta.

Bobo.

Problema nenhum.
Você é um orgulho senhor pianista e compositor Rafael.

Isabela disse...

Uau... ótimo esse texto, pesado e leve ao mesmo tempo.

disse...

Rafa, o seu comentário sobre ser pianista e compositor...amei saber disso..(eu não sabia...tá?!?!!! :D)...

eu achei lindo vc ser pianista...morri de inveja...(saudável...)

Bjosss, meu lindoo!!! :**

Louis # disse...

um por um, todos seremos condenados, espancados e massacrados :S

Hosana Lemos disse...

caramba, esse foi profundo...
parabéns óh!
.

Danilo Moreira disse...

Ola Rafael, como vai?

O cenário que imaginei ao ver esse post foi algo semelhante aqueles julgamentos dos imperios da Antiguidade.

De fato, quando nao somos espectadores e temos opinião propria, as pessoas maria-vai-com-as outras tendem a nos crucificar, afinal, são pessoas que andam escoradas nas muletas das outras, ao contrário de nós, que temos passos próprios.

Parabéns pelo post.

Abçs!!!

Agora, convido vc a Delirar comigo...

http://blogpontotres.blogspot.com/

Delírio - Ódio

Thaís A. disse...

Adorei, diferente :B

Mai disse...

Um texto que li em voz alta. Cenas, imagens, sons.Memória de chacinas, memória de barbárie.
Interessante que dos teus textos que li, sempre há um ato antropofágico. O que se tenta digerir, não é facilmente digigerível. O que se tenta exterminar, excluir, denegar, banir, está dentro de nós. Somos iguais e humanos. Leis que nos assemelham em nossa pequenez e grandeza.

O homem é racional quando a emoção não lhe domina e esta, quanto mais desregrada for, mais nos aproxima da barbárie.

Eu gosto muito.Sempre gosto de teus textos.
cada vez mais.
P.S. Estive um tanto out porque afoguei-me, 'atolada em papéis'. Mas estou voltando devagar.

Escreve, cara, tens muita intimidade com a palavra e estranhamente, este é o mundo real que de tão distorcido, parece ficção.

Beijos,

Letícia Alvares disse...

No comecinho achei que o texto teria um ar vampiresco. (por causa da estaca, sabe). Muito bom seu texto, já passei pela sensação de estar na estaca várias vezes...

É assim.

@philipsouza disse...

Com certeza aos poucos seremos massacrados...

abraçao

a má! disse...

Olá! Mais um poema seu que eu gosto :D Só espero que você não esteja se sentindo realmente do jeito descrito !

beijos ! :*

Débora disse...

hum.
então és poeta, compositor e pianista.
E ainda tem tempo para abrir processo contra o meu blog? :P

Adorei o poema [e a ilustração também].

=**

Débora Andrade disse...

Muito interessante meesmo (:
"Agora compreendo porque fui condenado,
foi por nunca ter sido um espectador."
Magnífico. *-*


beeeijo :*

Tatá R. da S. disse...

Muito, muito bom!
Neste momento eu não seria espancada pois estou seguindo a massa apreciando seu poema, mas nem tudo que muitos gostam é ruim. Quando se tem sensibilidade e intelecto para compreender.
Mas este me lembrou também o sofrimento animal e no sensacionalismo em cima disso.. Não necessariamente no matar para comer, até pq tudo q é comido é morto, seja as plantas ou os animais, mas sim nas touradas, rinhas e etc.
Senti falta deste canto, mas estou de volta. ^^
Beijo.

Deh Bee disse...

tu é pianista? conhece o dave thomas? bota no youtube, se n conhecer! eu adoro ele! n sei se gostei do poema... eu sou mt parnasiana pro teu estilo... mas as coisas q tu escreve sempre me fazem pensar! isso é ou n um elogio? bju

Sarah Caramelo'S disse...

CREEEEEEEEDO! Achei tão pesado a forma como você quiz passar a mensagem...

Taiyo Omura disse...

Achei horrível o texto. Malescrito, cheio de erros de concordânsia verbal e gramaticau.

Orrível, péçimo.

Vai aprender a escrever.

abraço amigo - continue na poesia

Gabi disse...

Seus poemas são tão reais que chegam a arrepiar.

E, não, o Platônico não tem continuação. Gosto dele porque fica por conta dos leitores resolverem como termina a história.

Marília disse...

Nossa Rafa, esse poema tá muito bom! Muito bem feito e bem pensado.
Ele é como se fosse uma critica social não?
Gostei mesmo.
Queria vir mais por aqui, mais o tempo não me permite.
Beeijos, té mais!

Nathália E. disse...

"Fui condenado pelos meus atos
Mas não fui informado por quais"

Quase nunca somos. Quase nunca.

Rafaelle Gerhardt disse...

Nossa muito perfeito seu texto, éé.. infelizmente essa é uma de tantas duras verdades pelas quais somos obrigados a presenciar na vida!
Você é um ótimo escritos :)
Parabéns!
Beijos!

Ray Siq disse...

máximoo o texto!!!

é bom não ser só um espectador!

Bjoo :*

Nathália Monte ;D disse...

legalll ;D

beijO rafa..

Sarah Caramelo'S disse...

AAH, sou eu sim na foto :D

Tiffany disse...

posso dizer que esse foi um dos melhores textos que eu já li.

meu parabéns...sempre passarei aqui!

Magnólia-menina disse...

Adorei esse teu texto Rafael! Muito bom mesmo o jeito que você retrata a história em si é muito bacana...
Seus textos sempre são muito surpriendentes !
Parabéns :)
Bjs

ps: puxa que interessante em relação a você ser pianista e compositor ...

Escape da rotina disse...

\o/

enquanto lia (assim como em "menstruação") pensei em inumeras coisas e de quantas inumeras formas poderiam terminar o texto. adorei! vou couemçar a seguir!^^

Mariana disse...

Gostei do blogue :)

bj

Paulo Ferba disse...

Parabéns pelo post e pelo blog!

Abraços