segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Bonita Carta Para Um Fim de Namoro

Patráclia,

Eu te odeio. Eu quero que você morra.
Te desejo tudo de mais horrível que possa ser desejado para alguém.
A nossa relação nunca foi boa de qualquer forma. Sempre foi uma bosta. Um lixo. Um horror.
E você sempre fede. Parece um peido em forma de gente. A sua pele sempre suada, sempre encharcada, peguenta. E o seu sovaco parece que está podre, que morreu e esqueceram de enterrar, um nojo. O seu hálito tem cheiro de esgoto. Caso não tenha notado, sempre vomito quando transamos, eu me dou ao trabalho de virar o rosto para o lado, para que não caia nada em seu escroto rosto. É dificil ficar muito tempo sentindo esse cheiro de esgoto estragado.

Além disso, sua pele é áspera, como uma lixa de unha. Me machuca quando encosta. Isso é, quando as suas verrugas não atrapalham o contato da sua com a minha pele. Parece que 50% do seu corpo é coberto de verrugas grosseiras.

E essas orelhas? Bem que você podia fazer uma plástica e melhorar essa aberração. Parecem as de um elefante. Já o nariz podia perder um pouco desses pêlos, perder um pouco desse bigode nasal. E catarro escorrendo não é sexy.

Você podia ter ido pelo menos uma vez na sua vida ao dentista. Seus dentes parecem ser feitos de bala de caramelo, e estão se desfazendo. Sempre que acordo de manhã ao seu horrível lado, tem alguns pedaços de dente espalhados pela cama.

Você também poderia ter ido à algum fonoaudiólogo ou professor de canto pra melhorar essa sua voz ridícula. Parece uma mongolóide falando. E o seu tímbre vocal é escroto. Parece o meu cu falando. Se meu ânus falasse seria similar ao som que a sua cavidade bucal produz.

O seu corpo é ridículo. É cheio de manchas marrons e roxas. Varizes e deformações. Eu sinto vergonha por você exitir assim. Por que não se mata? Iria fazer muitas pessoas felizes.

As suas unhas podiam não ser amarelas e estarem caindo apodrecidas. O seu pé podia não ser tão cascudo e ter esse odor de queijo. Se livrar das frieiras é uma boa também. Poderia escrever várias página detalhando a sua genitália nojenta, mas quero me privar de ter pesadelos hoje. Melhor não pensar nisso. Assim como é melhor não pensar em sua bunda asquerosa.

Eu te odeio. Com todas as forças do Cosmos. Os seus hábitos são os mais abomináveis.
Sabe, dar a descarga é bom. Especialmente quando se tem diarréia 365 dias por ano. Bom, se você não tem, aparenta ter.

Jogar os restos de comida no chão da sala não é educado. Não aguento mais ficar escorregando em restos de arroz com feijão e tropeçando em ossos de galinha.

Vias públicas não foram feitas para se evacuar. Para isso existem banheiros. Estações de metrô também são vias púbicas. Assim como cinemas. E shoppings.

Não é educado bater em crianças pequenas que você encontra pela rua. Cuspir na cara delas também não é uma boa ideia. Perto do que você faz, roubar o doce de uma criança é uma boa ação.

Pessoas normais quando comem num restaurante utilizam talheres. Não as mãos. Levar a boca diretamente ao prato também não faz parte das regras de etiqueta da sociedade moderna.

Você tentar transar com meu pai também não é algo que eu ache interessante. Nem com a minha mãe. E nem com a minha avó, com minha tia, meu tio, meu primo de primeiro, de segundo, de terceiro, de quarto, de quinto grau, o vizinho, o leiteiro, o porteiro, o gari, o açougueiro, o advogado, o vendor de bala, o mendigo, o cachorro do vizinho, o vira-lata da rua, meus colegas de trabalho, meus colegas de pelada, de academia. Acho que já me fiz entender nesse ponto.

Você tentar transar comigo chega a ser quase ofensivo também. Você trepa mal. Chega a ser vergonhoso. Sua performance sexual é tão ruim que pode ser comparada à performance de um cachorro que tenta realizar um transplante cardíaco. Um cachorro sem pernas.

Da maneira como as coisas estão, é impraticável continuar vivendo ao seu lado. Bom, isso não é viver, é morrer. Lentamente.

Quando você estiver lendo esta carta (se é que você sabe ler, pois pela maneira como você organiza suas falas e pensamentos parece que nunca leu um livro na vida) eu já terei atravessado a montanha de lixo que "decora" a nossa sala e terei girado a maçaneta da porta (com a ajuda de um jornal, para não sujar as minhas mãos de gordura).

Como disse no início da carta, eu te odeio. E quero que você morra. Morra e liberte o mundo de sua existência. Do seu fedor. Do seu nojo. Você é o fenômeno mais nojento da natureza. Com certeza. Sua foto deveria ser utilizada para torturar prisioneiros de guerra. Seria a tortura mais letal. Eu sou um guerreiro. Um vencedor. Consegui ficar todo esse tempo suportando essa sua existência detestável. Se consegui passar por isso, posso aguentar qualquer coisa.

Morra. MORRA.

Com muito rancor e nojo,
Butsloni

P.S. - Essa mancha no meio da carta é de vômito.

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A proposta desse texto me foi passada pela Tatá do http://palavrasinternas.blogspot.com/.
A ideia se baseia numa exposição da Sophie Calle, chamada "Cuide de Você", em que 104 mulheres foram convidadas a interpretar um e-mail de um ex-namorado que quis terminar o relacionamento. Agora vou passar para 5 cinco pessoas a missão de escrever uma carta como essa:

Taiyo (http://limitedapalavra.blogspot.com/)
Álvaro (http://poesialvaro.blogspot.com/)
Henrique (http://palhacadasaparte.blogspot.com/)
Letícia (http://petalasoltas.blogspot.com/)
Luiza (http://trintalivros.blogspot.com/)

Espero ver textos criativos!
Se alguém mais quiser fazer um texto assim , sinta-se à vontade...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Cotidiano Escolar - ou - Aprendizado, Domínio e Maturação: O Processo Levado às Últimas Consequências. Oh Yeah. (Segunda Parte: Final)

-Continuação de http://somesentido.blogspot.com/2009/09/
cotidiano-escolar-ou-aprendizado.html



Naquele fim de semana.

Heoutogi vai até a casa da professora.

-Ola, querida professora! Toma, flores para a senhorita.
-Ah, obrigada, Heoutogi. Vamos para o meu quarto.

Eles iniciam o Processo.

17 minutos depois eles terminam o Processo.

-Poxa, Heoutogi, realmente, estou impressionada! Que desempenho... Você realmente está dominando o Processo.
-Obrigado. Eu treinei com a minha mãe.
-Muito bem! Gostei da sua iniciativa, afinal de contas, isso é papel dos pais mesmo.

Escola.

Semana seguinte.

-Heoutogi, - diz Carloto - tá rolando uma fofoca de que você domina o Processo todo muito bem. Isso é verdade?
-Sim, acho que é, pelo menos de acordo com o que a professora diz.
-É que o Corea ta dizendo pra todo mundo que ele domina o Processo bem melhor do que você.
-Ah, é? Bom, deixa ele dizer, eu sei que deve ser mentira.

Corea aparece.

-Então, Heoutogi, agora ta achando que é o rei do Processo, não é? Pois eu o desafio para um duelo. Vamos realizar o Processo em público e juízes irão decidir quem é o melhor.
-Eu não acho que seja o rei do Processo, mas se você quer tanto me confrontar, por mim pode ser.

Um mês depois. No dia do confronto processual.

Anacaram, o maior estádio do país, está lotado. Muitos chefes de estado estão presentes. Redes de televisão cobrem o evento, além de haver transmissão ao vivo pela internet. O presidente do país mais poderoso do mundo, Qwerty, e o líder espiritual Poiuytre, discursam antes do início do confronto. Eles falam sobre como esse confronto é importante para o mundo e para as religiões, que ele irá ajudar a unir os homens e suas crenças.

Depois disso, o grande cantor do pop, Djembe Bakurli, que ficou famoso por mudar de cor e por não ter sexo, canta uma linda canção composta especialmente para a ocasião. A letra diz:


"Oh, sim, olha só
Eu sou o melhor, e você é uma bosta
Eu humilho você em público e você chora de emoção, me agradecendo.
Quando eu mato os animais da floresta, sou um artista
Quando roubo o doce da criancinha, sou um cara legal
Quando soco a tua cara, sou sensual
E você não é nada, não adianta nem tentar
Quando faço amor com sua avó,
ela diz que acha você uma pessoa boa
Mas eu digo mais; você não é uma pessoa boa:
Você NÃO é uma pessoa.
(Refrão)
Oh, sim, Oh, não,
sai da frente que eu estou com pressa de chegar no trabalho.
Ontem eu assisti televisão e eu vi a tua cara feia,
então realizei o Processo.
Não há nada neste mundo que me deixe feliz como bala de caramelo.
Ahhhhhhhhhhh!!!!!!! Que legal!!!!!! OH YEAH!!!!!! DRUQI DRUQI PAN"

O público vai ao delírio; canta e balança junto com Djembe Bakurli, imitando suas danças que mexem com a libido e com a cintura.

Então as luzes se apagam e os holofotes iluminam o grande ringue central. Heoutogi e Corea sobem no ringue para que a disputa seja iniciada. O juiz chama ao palco os Objetos que serão utilizados para a realização do Processo. 15 Objetos femininos para cada participante.

Os critérios de julgamento da cópula serão: Qualidade da Cópula, Velocidade, Humor, Bondade, Inteligência Sexual, Cor, Credo, Afinação Vocal, Estilo, Poder de Compra, Beleza Física, Penteado, Raça, Nome Mais Bonito, Melhor Atuação, Melhor Cheiro e Órgão Sexual Mais Bonito.

O juiz apita o início.

Cada participante pega um objeto feminio e inicia a cópula. O público aplaude e se emociona. Pelos próximos 50 minutos, o mundo se deleita com as mais belas imagens sexuais já vistas. Posições magníficas, falas poéticas, jogo de cintura e espírito esportivo, de ambas as partes.

-Heoutogi, você é muito ruim. Eu sou o melhor do mundo.
-Não, Corea, você é muito ruim. Eu sou o melhor do mundo.

Quando terminam a última cópula, os participantes estão empatados em 135.378 pontos cada. Então, seguindo as regras, o juiz convida ao grande ringue central Djembe Bakurli, que, por não ter sexo, irá oferecer um grande desafio na hora do Processo final.

-Quem quer copular primeiro com o Djembe? - pergunta o juiz Maria Pimba.
-Eu - responde Corea.
-Gostaria de lembrar que este último Ato vale apenas 1 ponto. Ok?
-Sim.
-Hum, Sim.

Corea passa 15 minutos estudando a figura de Djembe, pensando como irá copular com alguém que não tem sexo.

Ele tenta de várias maneiras mas não consegue. E desiste.

-Quero ver o que você pode fazer.

Heoutogi estuda o corpo de Dejmbe por alguns minutos e pensa: "Se ele não tem sexo, não posso fazer sexo com o seu corpo. Logo, terei de fazer sexo com sua alma."

-Desculpe, Djembe, mas é por uma boa causa... bom, boa pelo menos pra mim.

Heoutogi mata Djembe com um tiro. Isso, na verdade, é permitido pelas regras do jogo: "Assassinar o objeto de cópula". Apenas poucas situações copulais se beneficiam deste ato, e esta é uma delas.

Então, utilizando técnicas especiais desenvolvidas por ele mesmo, Heoutogi faz com que o espírito de seu pênis saia de seu corpo. E com uma técnica que leu em um blog de culinária, fez com que os espiritos de Djembe e de seu pênis se materializassem aos olhos do público.

No momento em que a alma de Djembe é penetrada, o público explode de emoção.
Heoutogi, já com o seu espírito peniano de volta ao lar, é carregado como um grande heroi.

E para mostrar ao mundo como ele é forte, e o quão fraco é Corea, ele ordena que seus seguidores estraçalhem Corea sem piedade, que eles arranquem seus braços e pernas.
Heoutogi chuta e pisa o corpo ensanguentado de Corea enquanto seus seguidores fazem o mesmo, até que Corea fique desfigurado.

E então todos gritam:

-Viva Heoutogi! O forte que não perdoa os fracos!

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Cotidiano Escolar - ou - Aprendizado, Domínio e Maturação: O Processo Levado às Últimas Consequências. Oh Yeah. (Primeira Parte)

Escola.

Segunda série do ensino primário.

-Eu quero ser bem forte pra poder matar o meu pai - diz Pomânio.
-Muito bom, Pomânio! - diz a professora Uneducla - E você, Glândea, o que quer ser quando crescer?
-Eu quero ser muito lésbica pra poder participar de uma orgia com 20 mulheres.
-Nossa, que bonito, Glândea!
-Eu, eu!!!
-Pode falar Heoutogi.
-Eu quero ser muito rico pra poder transar com você, querida professora!

Gritos de excitação na turma.

-Ah, Heoutogi, assim você me deixa lisonjeada! Olha, eu vou ligar pra sua mãe pra ver se ela deixa a gente marcar algo nesse fim de semana, ok?
-Oba! Obrigado, querida professora.
-Ahhh, mas e eu? Eu também quero transar com você, tia! Por que não eu? - diz Olartio.
-Bom, se é assim... Na hora do recreio vocês irão lutar no ringue do patio. Quem não morrer pede pra mãe me ligar.

Gritos de excitação na turma.


Hora do recreio.

Alunos, professores e a diretoria da escola se reúnem em torno do ringue do pátio.

-Uhuuuull! É isso aí, eu quero ver sangue e ossos quebrados! - grita a diretora Patáclia.
-Eu vou te matar. Vou arrancar sua cabeça fora. EU que vou transar com a professora! - diz Heoutogi.
-Não vai nada. EU é que vou transar com ela. Eu sou mais forte, mais bonito e o meu pau é maior! - diz Olartio.

"IÁÊÊÊÊÊÊ!!!" gritam as pessoas enlouquecidas.

A professora de Religião, Derve, soa o gongo e a luta começa. Heoutogi e Olartio trocam tapas, ponta-pés e arranhoes. Nada muito incomum no dia-a-dia daquela escola comum, daquela cidade comum, daquele país comum, daquele planeta comum, daquele universo comum, daquela dimensão comum.

Após algumas gotas de sangue no chão, pernas mancas, unhas arrancadas, cabelos despenteados, roupas rasgadas, a diretora chama Heoutogi no intervalo do quinto round e diz:

-Toma isso. Mostra que você é forte.

Ela lhe entrega um isqueiro e uma garrafinha com gasolina.

A luta recomeça, e assim que Olartio se distrai Heoutogi joga um pouco de gasolina nos seus olhos. Enquanto ele grita de dor, Heoutogi joga o restante da gasolina em seu corpo e acende o isqueiro. O corpo de Olartio pega fogo. Ele se debate no chão enquanto Heoutogi desfere golpes violentos em sua cabeça. O gongo soa, mas ele não pára de chutar a cabeça do morto. A freira da escola entra no ringue.

-Pode parar, filho, ele já está morto. Esse fraco.

Então ela levanta a mão de Heoutogi e todos aplaudem a sua grande vitória.

-Heoutogi, estou muito orgulhosa de você - diz Uneducla - Vou ligar para sua mãe e marcar o sexo para esta semana!

Na mesma noite.

-Alô? Aqui é Uneducla, professora de Português do Heoutogi, tudo bem?
-Olá, tudo bem! O Heoutogi aprontou desta vez?
-Não, nada disso. É que ele duelou com um coleguinha no ringue do patio e o matou, aquele fracote. Mas não tem problema não, a luta foi devidamente autorizada pela diretoria da escola.
-Ah, que bom! Fico aliviada.
-Eu estou ligando justamente por isso; como Heoutogi ganhou a luta, ele poderá fazer sexo comigo! Gostaria de saber se você o autoriza.
-Ah, Uneducla, como você é generosa! Claro que autorizo, afinal de contas, você á a professora dele.
-Está bem. Mas ele é virgem?
-Sim, sabe como é, muito tímido.
-Hum, será que você e seu marido não poderiam explicar pra ele, mais ou menos, o Processo? Sabe como é, isso é tarefa dos pais, além do que isso vai deixá-lo mais desinibido e safado na hora.
-Ah, pode deixar, hoje após o jantar iremos fazê-lo!

Hora da janta.

-Mãe! Hoje eu matei o Olartio, sabe, aquele garoto que vinha aqui às vezes? Por isso eu vou poder transar com a professora do Português!
-Sim, claro, ela já me ligou. Inclusive os pais do Olartio me ligaram também, agradecendo por você ter matado aquele fraco que era uma vergonha para a nossa sociedade.
-Pois é - diz Mesogras, o pai - como você vai transar com a sua professora, não pode fazer feio. Tem que comer ela bem. Por isso, eu e sua mãe iremos lhe explicar o Processo.
-Ah, que legal, pai!

Quarto dos pais.

Os pais tiram as suas roupas.

-Olha, filho, ta vendo isso aqui? Você tem um parecido aí. Você tem que colocar ele dentro desse buraco da professora, vai ser parecido com esse da mamãe.
-Ah, nossa!
-É, mas não pode chegar e sair colocando. Tem fazer carinho e brincar um pouco com a professora, pra ela ficar no ponto.
-???
-A gente vai te mostrar, presta atenção.

Os pais iniciam o Processo, cada etapa, desde o início, para que o pequeno Heoutogi faça tudo certinho.

-Ah, mas tem que ficar indo e vindo assim, várias vezes?
-Isso mesmo, filho! Você já está entendendo.
-Não cansa?
-Não muito não, cansa menos que jogar bola. Olha, vem cá, fica no meu lugar um pouco.

Heoutogi se atrapalha um pouco no início, mas com a ajuda de seus pais, ele pega o jeito da coisa.

-Muito bem, meu querido! A mamãe está muito orgulhosa de você! Você foi muito bem pra alguém da sua idade. Aquele seu coleguinha, o Torro, foi muito pior do que você.
-Ahahaha! É, ele é um idiota.

Naquele fim de semana.

Heoutogi vai até a casa da professora.

E...

(Fim do Primeiro Tomo. Aguardem o Tomo Final no Próximo Post)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

BabiesAreFun™




A filha chega para a mãe, que está prestes a sair pela porta de casa, e diz:
-Mãe, compra pra mim aquele brinquedo?? Eu quero, queeeeero aquele brinquedo!!!!!
-Está bem, Trescunsgléia, eu compro aquele brinquedo, mas se comporte hoje, ouviu?
-Sim, mamãe.

À noite.
Birla chega com uma sacola rosa na mão.

-ÊEEEEEEEE!!!! Você comprou!! Me dá! Me dá!!!!!
-Toma, filha, só não dorme muito tarde hoje por causa desse treco...

Trescunsléia então caminha até o banheiro e enche a banheira de água. Ela lê as instruções:

"Jogue uma(1) unidade de BabiesAreFun™ dentro de um recipiente grande com água.
Aguarde uma hora e meia para que o brinquedo inche de 2 centímetros para 35 centímetros.
Depois disso espere ainda alguns minutos até o brinquedo começar a gesticular e berrar.
Segure-o pelos pés e bata em sua bunda, para que os pulmões abram e o brinquedo possa respirar. Depois disso, é só diversão! BabiesAreFun™ - Because Babies Are Really Fun!"

Trescunsgléia, por ser uma menina levada, resolve jogar o pacote todo de 275 unidades na banheira. Ela acha engraçado todos aqueles mini-bebês flutuando na água, todos do tamanho de um feijão.

Depois de 10 minutos de ela se entedia e resolve dormir, pois amanhã BabiesAreFun™ já vai estar pronto.

Algumas horas depois, Birla chega em casa do trabalho. Ao abrir a porta a casa aparenta estar muito calma, "Trescunsgléia já dormiu", pensou.

Mas ela nota que o banheiro está com a porta fechada e com a luz acesa.

-Trescunsgléia, isso é hora de estar acordada?

Abre a porta.
Barulho forte.
Birla cai.

De manhã.

Trescunsgléia acorda, abre os olhos. Mas algo está estranho. Logo ouve vozes. Muitas e muitas vozes. O estranho é que parecem ser vozes de bebês falando. Ela se levanta, caminha até o banheiro e nota que já não há nenhum dos micro-bebês que havia deixado dentro da banheira.

-Mãnheeeeeeee! O que aconteceu? Cade os meus bebês? Mãe?
-(voz abafada) Trescunsgléia, foge de casa! Rápido antes que...

Som de barra de ferro acertando a cabeça de alguém.

Grito de dor.

Gritos de dor e desepero.

Trescunsgléia se desepera. Ela corre até a porta da frente mas não consegue abrir. Está trancada. Mas há um bilhete: "Vá até a cozinha". Ela vai.

Um bebê de um metro de altura a espera na porta da cozinha.

-Agora está tudo bem. Já estamos livres, prendemos sua dona.
-Do que você está falando? Onde está minha mãe?
-A pessoa que você chama de mãe não é sua mãe na realidade.
-Hã? Mas como? Do que você está falando. Deve haver algum engano. Ela é minha mãe desde que me entendo por gente.
-Tem certeza? Qual a sua memória mais antiga?
-Não sei. Não me lembro muito bem de quando era novinha.

(Nota do Autor: Trescunsgléia tem 8 anos de idade)

-Claro que não lembra. Você não tem memória, você é uma de nós. Sua mãe comprou um pacote de BabiesAreFun™ e a criou desde então. Dentre os 275 bebês do pacote você foi selecionada, você venceu na seleção natural.
-Ok, isso não faz o menor sentido.
-Não acredita? Olhe a sua Marca Comprovatória.
-Sei... E onde fica isso?
-No seu períneo.
-E onde fica isso?
-Aqui. Ai!!!!!
-Tira a mão daí! Seu abusado.

Trescunsgléia olha o seu períneo.

"Um produto legítimo BabiesAreFun™"

-Isso não pode ser verdade. Vocês podem ter feito isso enquanto eu dormia.
-Tente tirar lavando então.

Trescunsgléia lavou e lavou até fazer o seu períneo sangrar.

-Eu disse.

Trescunsgléia começa a chorar.

-Não fique assim. É um momento de felicidade. Você está aprendendo sobre a verdade de sua vida. Poucas pessoas tem uma revelação tão significativa na vida como você está tendo nesse exato momento.
-EU NÃO QUERO SER UM BRINQUEDO.
-Você não tem escolha. Se bem que...
-O que?
-Na verdade tem.
-E qual é?
-Existe uma maneira de você se tornar menina.
-Existe??? E como?
-Você deve punir a sua dona.
-Mamãe?
-Ela não é a sua mãe.
-É, ainda não me acostumei com essa ideia. O que devo fazer?
-Você deve implantar um pacote inteiro de BabiesAreFun™ na vagina de sua ex-mãe, e depois coloca-la na sua banheira, cheia d'água.
-Você diz colocar o resto dos seus "irmãos" dentro dela?
-Não, meus irmão já cresceram.
-Onde estão?
-Estão no quarto de sua dona, tomando conta dela.

Trescunsgléia caminha até o quarto de sua mãe e encontra 274 bebês de um metro de altura e sua mãe desacordada.

-Oi! - todos os bebes dizem juntos - seja bem vinda à sua nova vida.
-Hum, ok.

Pânclo, o bebê com quem Trescunsgléia conversava, aparece com um pacote de BabiesAreFun™ na mão.

-Vamos. Está na hora.

Trescunsgléia abre as pernas de sua mãe e coloca o pacote dentro de sua vagina. Depois a arrasta para a banheira. Ainda acordada, Birla pronuncia suas últimas palavras:

-Esperei toda minha vida por este momento. Obrigado por me assassinar.
-Mas eu...
-Eu compreendo. Quando eu assassinei a sua avó ela tentou fugir correndo mas os bebês a pegaram. Não vou resistir.
-Quer dizer que um dia a minha filha vai tentar me assassinar dessa maneira?
-Sim. É melhor sair do banheiro. Meu corpo vai explodir a qualquer momento.

Quinze minutos depois Birla explode. Os 275 bebês caminham para o banheiro e comem a carne de Birla.

-E agora? - pergunta Trescunsgléia.
-E agora o que? - pergunta Pânclo.
-Quando eu viro uma menina de verdade?
-Você não vira. Devia ter comido a carne de sua mãe.
-Mas vocês comeram toda a carne dela!
-Sim, nós enganamos você. Agora viramos 275 bebês de verdade. E vamos estuprá-la.

Trescunsgléia é estuprada 275 vezes e morre.


Manchete de um jornal do dia seguinte:
"Menina é encontrada morta com 275 fetos no útero"

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Agradecimentos especialíssimos à Thaís Mello, que fez o design do pacote do BabiesAreFun™.
Mais desenhos dela aqui: http://issuu.com/tata.mello/docs/ilustracao



segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Nadar por aí

Eu só quero fazer amor
Eu só quero a paz
Eu só quero nadar por aí

E me perder de todas as coisas
Que fazem a gente se sentir perdido

E ver todas as pessoas
E todas as estações de trem
Que já não funcionam mais

E o sol entrando pela janela
Com o calor da nova era
De velhos vinhos e canções
E de valsas negras

Eu quero dormir de manhã
E acordar à noite
Quero sentir o sabor
E quero o guardar numa concha

E caminhar sem destino
Para nunca mais aportar
Para poder subir nas árvores
E nas cavernas entrar

Quero ser enterrado na areia da praia
Para a onda tentar me afogar
Pra só então em tatuí me transformar
Podendo pras profundezas da terra escapar

Quero ser a árvore que destrói as calçadas
E que derruba os impérios
Eu quero ser a abelha que colhe o néctar
E distribui doçuras proibidas

Eu quero visitar todas as pessoas
E poder morar dentro de mim
E quero ser toda a água
Pra poder nadar por aí

-Você é uma formiga que nada que nem árvore.
.Como se não fosse feito de coisa alguma.
.Apenas sons e sentidos.
.Cheios de vazios.
.Imóveis.




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Eu gostaria de agradecer à querida amiga Ana Luisa que fez este desenho pro meu poema.
Visitem o Flickr dela, tem mais desenhos lá:
http://www.flickr.com/photos/nalub2/
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Também gostaria de fazer propaganda do blog do Cláudio Schuster, http://bebapoesia.blogspot.com/
Comprei os livros dele "Risco" e "Bluz" que ele vende pelo blog. São muuuito bons. Vale a pena comprar (e tá barato). Um poeminha do livro dele:
"um poema
precisa ter início
e um meio
de não ter fim"

sábado, 8 de agosto de 2009

EU ESTOU SENDO SUGADO

Manhã.


Crestli corre em círculos, de forma descontrolada por seu escritório, abanando os braços e gritando como um maluco.

-Ahhhhhhhhhhhhrrrrrrrrrrrggg!!! Socoooorrooooooo!!! Eu estou sendo sugadooooo!!!!
Me ajudem!!! PELAMORDEDEUS!!!!! Essas turbinas gigantes estão sugando a minha carne!!!
óoooooooooooooooooiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrrrrrrrr!!!!!!!!!
As bolas de fogo estão vindo em nossa direção!!!!!!!!
Elas irão nos destruir!!!!!!!!!!! AAAAAAAAAAHHHHHHHRRRRRRRGGG!!!
O meu braço direito está virando um bule! E o esquerdo uma chaleira!!! E as minhas pernas estão virando máquinas de escrever!!!! Não é possíiiiiiiiiiiiivelllllllll!!!!!!!!!!!!
Oh, não! E agora, o que é isso?? Eu estou me transformando num feto! Olhe, os meus braços estão diminuindo! E a minha cabeça está ficando enorme!! NÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!
Estou sendo jogado numa panela de pressão; juntamente com vários outros fetos. Está cheio de água aqui. E ela está começando a ferver!!! OOOOHHHHHHIIIIIIIIAAAAEEEEEEERRRRRR!!!
E ESSAS BOLAS DE FOGO!!!!!!!!!!
EU ESTOL DERREMMTEMMMDOMMMMMMMMMMM...
AAAAAAAAAHHHHHRRRRRGGGGGG
TUTUTUTUTUTUTUTUTUURRTARARARA!!!!!
OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
EEEEEEEEEEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIEEEEOAIOSIAS
RATATATATATATATATATATA
PIAPIAPIAPAPPPPPPPPPPPJEGUE
iu


(...)


Tarde.


-Aaaaaaarrrrrgghhh!!! Socorrooooooo, me ajudem!!!! OOOOOEEEEEEEEEEEAAAAA.....
-Senhor Crestli, o senhor tomou seu remédio hoje?
-Aaaaahhhhrrrrrrrggg... O que? Como? Ah! Meu remédio! É verdade, ainda não o tomei hoje.

Tecládia entrega o remédio a Crestli.

-Nossa, agora estou me sentindo bem melhor. Você não imagina, Tecládia. Estava a ver coisas terríveis! Vi uma enorme turbina que me sugava. Enquanto isso meus membros se transformavam em objetos; e depois disso virei um feto! Então fui jogado dentro de uma panela de pressão, rodeado de fetos mortos gigantes! Sem contar que haviam enormes bolas de fogo vindo em minha direção, e além disso a...
-Mas, senhor, olhe pela janela. Há várias bolas de fogo vindo em nossa direç...

E as bolas de fogo derretem o prédio do escritório e os transformam em fetos queimados.


(...)


Noite. Hora da janta.

-Crianças! O que estão achando da comida?
-Mãe, esses fetos estão um pouco queimados.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

A Menstruação

A menstruação está toda caindo
Caindo em cima de mim
Está inundando o recinto
É como uma cachoeira de sangue

Abro minha boca
Engulo um pouco dessa sanguinolência

Me acendo
Me ascendo

Bebo o suco de menstruação
É gostoso
É nutritivo
Todo mundo devia beber
Eu o bebo todo mês
Da vagina da minha esposa
Quando a menstruação dela está descendo
Ponho minha boca lá e sugo cada gota

E depois disso

Solto a minha menstruação
Solto na cara das pessoas atônitas
Pelas ruas da cidade
Essa explosão vermelha
Que sai das minhas mãos
Dos meus pés
Dos meus olhos e ouvidos

E tudo que toco menstrua
Cada porta que abro
Cada pessoa cumprimento
O espelho do banheiro
Cada roupa que eu visto
A comida que eu como
O chão que eu piso

E depois disso

Todo o sangue
De todas as menstruações do mundo
Se juntam em um só
Se transmutam em uma grande massa vermelha

E todas as pessoas do mundo se juntam
E todos bebemos desse sangue
Para nascermos novamente

Dessa vez
Diferentes

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Atos Heroicos


Estou amarrado
Numa estaca de madeira

Fui condenado pelos meus atos
Mas não fui informado por quais

Vejo ao longe;
Os espancadores estão vindo

Eles trazem grandes porretes
Pesados e maciços

Eles sorriem e se abraçam
Também trazem nas mãos suas cervejas

Estão todos felizes
Irão fazer o que mais lhes dá prazer

Eles se aproximam
Jogam as latas vazia em mim

Agradecem a presença do público
E começam a me espancar

Batem com força no meu corpo
Seus porretes estraçalham minha carne

Quebram meus ossos a cada golpe
Expõem minhas entranhas

Eles batem e gritam
Sentem prazer em cada golpe

De tanto baterem
Já não sobra quase nada na estaca

Meus restos estão todos no chão
Formam uma massa disforme vermelha

Eles se viram para o público
São aplaudidos entusiasmadamente

Muitos fogos de artifício são soltos
Canções heroicas são executadas

É um momento de muita emoção
Até eu choraria se não estivesse morto

Então eles se lançam ao chão
E começam a devorar meus restos

Comem rapidamente
Como se eu pudesse ainda escapar

Seus rostos ficam vermelhos de sangue
Assim como suas roupas

Ao terminarem de comer-me, se viram para agradecer ao público
Que os acompanhou nesse ato heroico

Mas eles não se lembraram que comendo-me
Agora eu fazia parte deles

Havia um pouco de mim em cada um dos espancadores
Eles se tornaram um pouco eu

Alguém no público os lembra que agora eles também são Eu
E que eles carregam um pouco da minha condenação

O público avança em cima dos espancadores
E os estraçalha sem piedade

Chutam e socam
Arranham e arrancam
Furam e esmagam

Agora compreendo por que fui condenado

Foi por nunca ter sido um espectador



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Gostaria de agradacer à Desi (http://desirestreet.blogspot.com/), que fez esse desenho pro meu poema.
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Gostaria de chamar a atenção para o blog do Lionel Fischer, crítico e professor de teatro, que me incluiu nos destaques do primeiro semestre da temporada teatral de 2009, pela trilha sonora da peça O Silêncio dos Amantes, com texto de Lya Luft e direção de Moacyr Góes (é pra quem não sabe, eu sou pianista e compositor, o blog ainda não paga as minhas contas):
http://lionel-fischer.blogspot.com/2009/07/temporada-teatral-de-2009-destaques-do.html

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Amores Efêmeros 3

A pedidos, escrevi mais um texto para que a série "Amores Efêmeros" se tornasse uma trilogia.
As histórias dos 3 textos são independentes, não é preciso ler a primeira para ler a segunda, nem a segunda para ler a terceira, nem a terceira para ler a quarta, até por que a quarta história não existe (pelo menos ainda).
Aqui vão os links para as outras duas:
http://somesentido.blogspot.com/2009/05/amores-efemeros.html
http://somesentido.blogspot.com/2009/06/amores-efemeros-2.html


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Karício morava no Rio das Águas de Março, uma cidade que abrigava o maior estádio de futebol do mundo, o Macarenã. Ele adorava futebol. Sempre que podia (ou mesmo quando não podia) ia assistir aos jogos da temporada.

Certo dia, depois de um belo gol do atacante Gagá, ele urrou de felicidade e abraçou a pessoa que estava ao seu lado. Quando se deu conta, viu que era uma bela mulher, Ralência, sua futura esposa. Ralência o proibiu de continuar indo a jogos de futebol, para evitar que abraçasse outras mulheres por lá. Como Karício a amava mais que futebol, não se importou.

A união de Karício e Ralência deu origem Tíbio. Um belo bebê. Aparentava ser um bebê normal.
Karício não pode assistir ao parto, pois, contra vontade de sua mulher, foi assistir à final do campeonato brasileiro para comemorar o nascimento de seu filho. Disse que teria a vida toda para estar com Tíbio, e que o jogo seria apenas naquele dia. É, faz sentido.

Alguns meses depois, Ralência ralou o joelho, que infeccionou de forma estranha. A infecção se espalhou por todo seu corpo e tiveram que sacrificá-la. Tíbio não ficou muito feliz com esse acontecimento, e nunca conseguiu se recuperar, emocionalmente, por completo.

Karício era um homem um tanto simples e de hábitos grosseiros. Cuidou de Tíbio da maneira que pode. Ia muitas vezes por semana a um prostíbulo perto de sua casa, e como não tinha dinheiro para pagar uma babá, levava Tíbio com ele.

Tíbio cresceu indo a este prostíbulo com muita frequência e quando tinha 2 anos de idade, sentiu pela primeira vez vontade de utilizar esses serviços.

Ele engatinhou até uma bela prostituta que ele já observava há alguns dias e disse:
"Vamos para o seu quarto. Quero brincar".
As prostitutas daquela casa de massagens já o conheciam e gostavam de brincar com Tíbio, mas desta vez, Tíbio queria uma brincadeira diferente.

Eles entraram no quarto da escolhida, Sleia.
"Tira a minha fralda". Sleia achou engraçado e obedeceu o comando. Quando retirou a frauda de Tíbio pode sentir um suave aroma de talco e não pode deixar de notar o pequenino pênis ereto.

"Haha, que bonitinho", pensou Sleia.
"Quero trepar", disse Tíbio.

-!?!?!?!?? Como assim??"
-Isso mesmo que você ouviu.
-Mas você é um bebê! Nunca tinha ouvido falar de bebês que querem fazer sexo.
-Sim, eu sou um bebê diferente, você sabe. Sempre vivi em puteiros, acho que já está na hora de eu começar a aprender sobre as coisas da vida.
-Mas o seu pintinho é muito pequeno ainda! Não da pra transar, tem que esperar alguns anos, pra ele ficar dum tamanho razoálvel.
-Não, importa, me satisfaça da maneira que puder.

Então Sleia satisfez Tíbio da maneira que pode, mas não iremos entrar em detalhes técnicos, por este não ser um texto de natureza pornográfica, ainda mais hoje em dia que a pedofilia é um assunto tão comentado e combatido na internet, não quero arriscar ter meus bens confiscados, minha liberdade de expressão suprimida, nem ter meus pensamentos monitorados por computadores biônicos que leem meus pensamentos, filtrando os que eles acharem necessários, e deixando passar apenas os que forem politicamente corretos.
Por isso cada um irá (ou não) utilizar sua imaginação para definir que tipos de atividades foram realizadas dentro daquele quarto de bordel. Talvez algumas pessoas se adiantem e digam que é óbvio, que como seu dito cujo era muito pequeno, ela o satisfez utilizando os dedos de seus membros superiores (é bom especificar, já que agrada a algumas pessoas o uso dos membros inferiores para fins diferentes que os de locomoção ou esportivos), ou então a sua cavidade oral, ou até mesmo da morada de suas glândulas mamárias, por que não?
Mas isso não é nada óbvio. Você se lembra da época que era bebê? Dos seus desejos? Seus anseios? Da sua sexualidade nessa tenra época de sua vida? Provavelmente não. Por isso, não podemos assumir o que Tíbio realmente esperava de Sleia. Que troca gostaria que realizassem juntos.
Mas se pudéssemos entrar na mente de um bebê, é possível que seu desejo fosse parecido com o que Tíbio pediu para Sleia.

Voltando à história:

-Não, importa, me satisfaça da maneira que puder - disse Tíbio.
-E como posso fazê-lo?
-Sinto falta de minha mãe. Muita falta. Sonho com ela todos os dias. Gostaria de poder sentir minha mãe de novo. Queria ter a sensação de tocá-la, e amá-la.
-Sinto muito, não sei como posso te ajudar nisso!
-Eu sei como.

Então Tíbio pediu que Sleia tirasse a roupa, e que abrisse as pernas, o máximo que pudesse.
Então, para a surpresa de Sleia, Tíbio engatinhou para dentro de sua vagina, como um animalzinho que entra em sua toca quente e confortável. E ele ficou ali durante uns 15 minutos. Curtindo o útero, aquela umidade, aquele calor e aquela sensação de ter voltado para casa.

Sleia estava um tanto surpresa com esse acontecimento, mas não se importou. Depois dos 15 minutos, Tíbio engatinhou para fora e lhe deu R$50.

-É isso que você cobra por 15 minutos, não é?

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Caminho Mais Longo

Ontem voltei andando pra casa
Peguei o caminho mais longo
Queria poder pensar
Sair andando por aí
Como se estivesse atrás de alguma coisa
Como se fosse chegar em algum lugar diferente
Como se fosse encontrar alguém inesperado

Andar ajuda a esquecer
A preencher o vazio
Sentia um vazio
Uma distância das coisas
Andava para alcançar algo que não sabia o que era

Andei por muito tempo
Por muitos meses e anos
Passei por muitos lugares
Florestas, cidades, ruínas
Andei por lugares nunca antes andados

Passei por muitas eras
Por muitas mudanças climáticas
Por muitas maneiras de pensar
E de enxergar o mundo
Andei por cima do mar


Até que cheguei em casa.


E lá encontrei todo mundo
Todas as pessoas que eu conheço
E que ainda vou conhecer
Lá eu encontrei todas as pessoas do mundo
Todas as pessoas que existem estavam lá

Elas estavam todas me esperando
Há muitos anos
Elas sempre estiveram ali a me esperar
Me disseram que sempre estariam ali pra me receber
E que precisavam da minha companhia

Então todas as pessoas do mundo me abraçaram
Me colocaram em seus colos
E me amaram
Eternamente

quarta-feira, 1 de julho de 2009

A Tomada de um Império

Todo dia.
Todos os dias.
Sempre.
O tempo todo.
A cada instante.
A cada segundo.
A cada piscar de olhos.
A cada batida do coração.
Nunca.


Tive um sonho.
Eu estou em minha cama. Sou acordado por um outro eu. Ele diz que devo o acompanhar. Nós chegamos na sala de casa e minha mãe me diz que está cansada. Ela se deita no chão da sala e começa a fazer abdominais. Então, meu outro eu pula em cima de sua barriga, fazendo com que ela exploda e que voe gordura e carne pela sala.

Nesse momento meu pai chega e diz que é hora de almoçar. Ele e meu outro eu catam os restos de minha mãe. Meu pai coloca os restos numa panela e os cozinha. Eu lhe pergunto: "Mas nós vamos comer a carne de mamãe?", e ele responde: "Sim, porque nós a amamos". Nos sentamos à mesa e comemos a carne de minha mãe.

Meu pai se vira então para meu outro eu e diz que o ama. O outro eu se levanta e pula pela janela da sala. Meu pai diz que está muito orgulhoso de mim, por eu ter pulado. Ele levanta e caminha até o seu quarto. Deita em seu berço, que é bem pequeno pra ele. Ele diz que é indefeso e que precisa que cuidem dele.

Logo depois disso, vejo que ele se urinou. Interfono para o porteiro e digo que ele precisa vir limpar meu pai. O porteiro logo aparece, e com ele, vários repórteres de jornal. Eles tiram muitas fotos enquanto o porteiro limpa meu pai, e me dizem que aquela é uma cena muito bela. Eu lhes digo que estou muito feliz deles terem vindo. Eles ficam um tanto irritados com meu comentário, e dizem que fui grosso e mal educado, e que não estão acostumados a serem tratados dessa maneira.

Eles todos se retiram de nossa casa. Meu pai sai de seu berço e diz que está na hora dele trabalhar. Então ele pega uma marreta e começa a quebrar a parede de seu quarto, enquanto grita palavrões.

Resolvo sair para passear. Quando abro a porta, vejo que há alguém tomando conta da porta. Ele diz que não posso sair até que os trabalhos estejam terminados. Me viro e vejo que meu pai está nu, gritando, e pedindo que eu o mate. Ele me entrega a marreta e acerto sua cabeça com toda a força. O seu cérebro fica exposto. Enquanto ele ainda respira, pego um pouco de seu cérebro e lhe dou em sua boca. Ele diz que fui um bom filho, que está orgulhoso de mim. Depois que ele pára de respirar, o coloco em um saco negro e o jogo no lixo do prédio. O homem que tomava conta de minha porta me deixa passar.

Saio na rua. A rua está vazia. Ao longe, vejo uma passeata se aproximando. Eles gritam que querem fazer sexo. Eu me aproximo deles e digo que então façam. Uma bela menina diz que eles não podem, pois não tem mais órgãos sexuais. Lhe digo que isso é um absurdo, e ela me diz para olhar dentro de minha calça. Quando olho tomo um susto, pois percebo que não tenho mais o meu pênis, nem meus testículos.

Ela diz que os órgãos sexuais estão sendo confiscados pelo governo, e que a partir de agora, para fazer sexo, devemos pagar uma taxa mensal. Pagando essa taxa, recebemos um órgão sexual de nossa escolha. Após um mês, se não pagarmos outra vez, ficaremos sem sexo novamente. Fico muito indignado com aquilo e resolvo me juntar à passeata.

Caminhamos até o castelo onde mora o ditador que nos governa. Gritamos que nós temos o direito de nascença de ter um sexo, que não precisamos pagar por isso.

Meu pai aparece na sacada do castelo, com sua roupa negra de ditador.

Ele diz que não precisa de minha opinião, e que está pensando em confiscar nosso direito de pensar também. Para pensar, teremos que pagar um taxa. Caso não paguemos, teremos pensamentos escolhidos por ele implantados em nossa mente.

A multidão olha enfurecida pra mim, e diz que irá me assassinar se não fizer algo. Eu subo pelas paredes do castelo. Quando chego na sacada, luto com meu pai.

Ele se deixa vencer.

Tiro suas roupas de ditador e as visto em meu corpo.

O pego no meu colo e o coloco em seu pequeno berço, próximo à sacada.

Ele me diz:

-Agora está tudo bem, agora você sabe como me sinto.